Uma paciente primigesta, de 30 anos, com 24 semanas de gestação, encontra-se internada em uma maternidade para introdução de insulina, devido a diabetes gestacional, a fim de obter melhor controle metabólico. A paciente relata que o bebê tem se mexido menos nas últimas 24 horas. O médico indica a realização de uma cardiotocografia de repouso.
Pegadinha central: o problema não é o diabetes, mas a baixa idade gestacional.
Antes de 32 semanas, um traçado não reativo tem menor valor diagnóstico.
Redução de movimentos em gestação precoce pede avaliação imediata, frequentemente com ultrassonografia.
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Contexto
A cardiotocografia de repouso avalia a relação entre movimentos fetais e acelerações da frequência cardíaca. Sua interpretação depende da maturação autonômica fetal. Antes de 32 semanas, especialmente em torno de 24 semanas, é frequente não haver acelerações que preencham critérios usuais apesar de o feto estar saudável, gerando elevada proporção de traçados não reativos e falso-positivos.
A partir de 28 a 32 semanas, a vigilância cardiotocográfica torna-se progressivamente mais interpretável. Quando realizada antes de 32 semanas, utiliza-se frequentemente o critério de aceleração de pelo menos 10 batimentos por minuto por pelo menos 10 segundos, em vez de 15 por 15, mas mesmo assim a especificidade permanece limitada.
A redução de movimentos fetais relatada pela mãe não deve ser ignorada. Aos 24 semanas, a avaliação deve começar por confirmação dos batimentos, exame obstétrico e ultrassonografia para vitalidade, crescimento e líquido amniótico, com Doppler conforme o contexto. Diabetes gestacional não contraindica cardiotocografia; o problema é a idade gestacional para interpretação do exame.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Diabetes gestacional não contraindica cardiotocografia. Em fases mais avançadas e conforme controle metabólico e tratamento, ela pode integrar a vigilância fetal.
B) Incorreta. Descompensação diabética exige avaliação materna e fetal, mas cardiotocografia aos 24 semanas não é o exame mais confiável para detectar precocemente comprometimento.
C) Incorreta. A cardiotocografia não possui alta sensibilidade isolada nessa idade e um resultado não reativo pode refletir apenas imaturidade autonômica.
D) Correta (gabarito). Com 24 semanas, a imaturidade dos sistemas simpático e parassimpático aumenta muito os resultados não reativos sem hipóxia, tornando a indicação isolada inadequada.