Óbito fetal e perda gestacional de repetição

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 34
INEP · 2023

Paciente secundigesta, pesando 70 kg, é encaminhada ao pré-natal de alto risco, em razão de história de abortamento espontâneo na 8a semana, na gestação anterior. Traz consigo um exame de mutação homozigótica do gene da enzima metilenotetrahidrofolato redutase. A paciente nega história pessoal ou familiar de trombose.

Nesse caso, a conduta imediata deve ser
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Variantes do gene MTHFR são comuns na população e não são consideradas trombofilia hereditária clinicamente relevante. Mesmo em homozigose, sua associação com trombose ou perda gestacional não justifica anticoagulação, especialmente quando não há hiper-homocisteinemia documentada, trombose pessoal ou história familiar.

Um único aborto espontâneo na oitava semana é frequente e não preenche critério de perdas gestacionais recorrentes nem de síndrome antifosfolípide. A investigação de trombofilias hereditárias não é indicada após uma perda precoce isolada, pois raramente altera o cuidado e pode gerar tratamentos sem benefício.

A paciente deve receber ácido fólico na dose obstétrica habitual, avaliação das causas comuns de perda gestacional apenas se houver recorrência e pré-natal de risco habitual. AAS e heparina são usados em indicações específicas, como síndrome antifosfolípide obstétrica, e não por resultado isolado de MTHFR.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). Sem trombose, perdas recorrentes ou outra condição de risco, a mutação MTHFR não muda a classificação e o pré-natal pode seguir de forma habitual.

B) Incorreta. Não há indicação para painel de trombofilia após um aborto precoce isolado. A investigação indiscriminada produz achados sem relevância e iatrogenia.

C) Incorreta. AAS e enoxaparina aumentam sangramento e não melhoram o prognóstico quando usados apenas por MTHFR.

D) Incorreta. Anticoagulante lúpico, anticardiolipina e anti-beta-2-glicoproteína são pesquisados quando há critérios clínicos de síndrome antifosfolípide, ausentes neste caso.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: MTHFR não deve ser tratado como trombofilia.

  • Um aborto antes de 10 semanas não fecha síndrome antifosfolípide.

  • Heparina e AAS sem indicação aumentam dano sem prevenir nova perda.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Óbito fetal e perda gestacional de repetição” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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