Uma pré-escolar com queixa principal de febre e dor ao urinar está sendo atendida em uma unidade de pronto atendimento. A mãe relata que, há 2 dias, após uma longa viagem de carro, a menor iniciou quadro de febre de 38-39 °C, associada a dor em baixo ventre de forte intensidade, disúria e um episódio de vômitos. Conta que ela aceita parcialmente a dieta, que a diurese está presente e as fezes também, e sem alterações. Refere ocorrência de um episódio semelhante há 6 meses.
Pegadinha central: ITU pediátrica exige urocultura bem coletada mais inflamação urinária, não apenas piócitos.
O ponto de corte muda conforme a técnica de coleta.
O gabarito usa mais de 1.000 UFC/mL no cateterismo, mas consensos contemporâneos variam e frequentemente exigem contagem maior associada à piúria.
Urocultura positiva de saco coletor deve ser confirmada.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
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Contexto
Febre alta, disúria, dor hipogástrica e vômito tornam provável infecção do trato urinário febril. O diagnóstico não é confirmado apenas por sintomas ou piúria: exige amostra obtida por técnica adequada, crescimento de um uropatógeno em quantidade significativa e evidência de inflamação urinária, como esterase leucocitária ou leucocitúria. O saco coletor tem alto risco de contaminação e não deve confirmar o diagnóstico.
A questão utiliza o critério de protocolos assistenciais brasileiros que aceitam mais de 1.000 UFC/mL em urina obtida por cateterismo vesical. Há divergência entre referências atuais: muitos consensos pediátricos usam limiares mais altos, frequentemente 50.000 UFC/mL para amostra cateterizada associada à piúria, enquanto outros aceitam 10.000 UFC/mL em criança sintomática com exame de urina compatível. Portanto, o número nunca deve ser interpretado isoladamente. O gabarito é mantido conforme o critério cobrado pela prova.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Qualquer contagem em clean catch não confirma infecção, porque a amostra pode ser contaminada pela flora perineal. É necessário crescimento significativo de uma espécie e exame urinário compatível.
B) Correta (gabarito). Pelo critério adotado pela banca, crescimento acima de 1.000 UFC/mL em amostra obtida por cateterismo vesical confirma a infecção quando associado ao quadro clínico. Protocolos atuais podem empregar limiares diferentes, mas a alternativa representa o método e o ponto de corte cobrados.
C) Incorreta. Qualquer quantidade de piócitos não confirma infecção. Leucócitos podem aparecer por contaminação, vulvovaginite, febre e outras inflamações, e ITU também pode ocorrer com piúria discreta no início.
D) Incorreta. Dez mil UFC/mL em jato médio, isoladamente, não basta na formulação da alternativa. O significado depende de sintomas, piúria, espécie isolada e qualidade da coleta; a banca utiliza limiar maior para jato médio.