Um homem com 62 anos comparece, acompanhado de sua filha, a uma unidade básica de saúde, após terem sido alertados pelos vizinhos sobre a campanha de detecção de câncer de próstata, denominada Novembro azul. O paciente não mantém contato com os irmãos nem com o restante da família, portanto desconhece se há história familiar de câncer. Está completamente assintomático. Relata que seu pai faleceu aos 65 anos de idade e que não sabe a causa da morte.
Pegadinha central: campanha de conscientização não equivale a recomendação de rastreamento populacional.
PSA alterado não diagnostica câncer e pode desencadear uma cascata de exames e tratamentos.
O INCA recomenda decisão compartilhada quando o homem assintomático solicita rastreamento.
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Contexto
O paciente está assintomático e procura exames motivado por uma campanha. O INCA e o Ministério da Saúde não recomendam rastreamento populacional sistemático do câncer de próstata, porque a redução absoluta da mortalidade é pequena e deve ser ponderada contra falso-positivo, biópsias, sobrediagnóstico e tratamento de tumores que jamais causariam sintomas.
Homens que solicitam rastreamento devem receber informação clara e participar de decisão compartilhada. PSA não é diagnóstico de câncer: pode elevar-se por hiperplasia benigna, prostatite, retenção urinária, ejaculação recente e manipulação. Um resultado alterado gera nova avaliação, podendo levar a ressonância e biópsia. Toque retal não substitui PSA, e ultrassonografia prostática não é exame de rastreamento.
A discussão deve ser feita diretamente com o paciente capaz de decidir. A filha pode participar se ele concordar, mas não substitui sua autonomia. A ausência de história familiar conhecida não equivale a história familiar positiva nem transforma automaticamente o paciente em alto risco.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Não existe indicação automática dos 50 aos 70 anos pelo Ministério da Saúde, e o PSA não possui grande sensibilidade e especificidade para diagnosticar câncer precoce.
B) Incorreta. O Ministério da Saúde não recomenda rastreamento universal com toque retal e ultrassonografia. Ultrassom não é teste de triagem para câncer de próstata.
C) Incorreta. A decisão deve ser individualizada, mas a alternativa transforma PSA, toque e ultrassom em conjunto obrigatório, o que não corresponde às recomendações.
D) Correta (gabarito). O médico deve explicar ao paciente os benefícios incertos e os danos possíveis do rastreamento, permitindo decisão compartilhada em vez de prescrever exames automaticamente por causa da campanha.