Fibromialgia

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 36
INEP · 2023

Uma mulher com 52 anos comparece à consulta médica na unidade básica de saúde com queixa de dores musculoesqueléticas crônicas, mal localizadas, difusas, acima e abaixo da cintura. Refere que o quadro tem cerca de 4 meses de evolução, tendo surgido aparentemente após episódio de dengue (não grave). A paciente também refere fadiga e quadro depressivo há longa data, além de transtorno da articulação temporomandibular e síndrome do intestino irritável. Relata apetite preservado. Seu exame físico é normal, salvo por dor à compressão e palpação muscular difusa. Digno de nota é que a simples insuflação do esfigmomanômetro leva a dor significativa em ponto localizado cerca de 2 centímetros distais do epicôndilo lateral do membro superior avaliado. Além disso, há dor à compressão digital bilateral nos pontos de inserção dos músculos subocciptais, no ponto médio da borda superior de ambos os músculos trapézios, sobre a borda medial das escápulas, nos quadrantes superiores externos das nádegas, posteriormente às eminências trocantéricas dos fêmures, sobre a 2a articulação condroesternal direita e sobre as partes moles localizadas superior e medialmente a ambos os joelhos. Não há alterações no hemograma completo, nem na dosagem de proteína C reativa, T4 livre, TSH e velocidade de hemossedimentação.

No caso apresentado, qual o diagnóstico dessa paciente?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Dor musculoesquelética difusa acima e abaixo da cintura por quatro meses, fadiga, depressão, síndrome do intestino irritável, disfunção temporomandibular e hipersensibilidade à pressão formam o espectro de fibromialgia. O mecanismo envolve amplificação do processamento da dor no sistema nervoso, denominada dor nociplástica, e não inflamação muscular ou lesão estrutural.

Os pontos dolorosos descritos correspondem ao critério antigo de 1990, que utilizava pelo menos 11 de 18 pontos. Os critérios do American College of Rheumatology de 2016 não exigem tender points: utilizam índice de dor generalizada, escala de gravidade dos sintomas, dor em pelo menos quatro de cinco regiões e duração mínima de três meses.

Hemograma, proteína C reativa, velocidade de hemossedimentação e função tireoidiana normais ajudam a excluir anemia, inflamação e hipotireoidismo. Fibromialgia pode coexistir com outras doenças e não deve ser rotulada como imaginária. O tratamento combina exercício progressivo, educação, sono, terapia cognitivo-comportamental e medicamentos selecionados.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). Dor generalizada crônica, fadiga, síndromes funcionais associadas, hiperalgesia e exames normais são compatíveis com fibromialgia.

B) Incorreta. Hipotireoidismo subclínico exige TSH elevado com T4 livre normal. Ambos estão normais.

C) Incorreta. A fibromialgia é uma síndrome clínica reconhecida de processamento alterado da dor. Sintomas emocionais podem modulá-la, mas não a reduzem a transtorno psicossomático.

D) Incorreta. Depressão pode coexistir e agravar fadiga e dor, mas não explica sozinha a hipersensibilidade difusa e as comorbidades funcionais. O apetite preservado também não estabelece episódio depressivo maior.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: tender points aparecem em provas antigas, mas não são obrigatórios nos critérios atuais.

  • Fibromialgia é dor nociplástica, não doença inflamatória.

  • Exercício gradual é componente central do tratamento.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Fibromialgia” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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