Uma mulher de 35 anos procura unidade básica de saúde para fazer exame de rastreio de câncer de mama. Ela informa que sua mãe foi diagnosticada com câncer de ovário aos 72 anos e que seu pai faleceu de câncer de intestino. A paciente é nulípara, faz uso de anticoncepcional oral desde a adolescência, é obesa e tabagista há 10 anos fazendo uso de 10 cigarros por dia.
Pegadinha central: história de câncer de ovário não significa solicitar BRCA1 isoladamente, mas pode indicar aconselhamento genético.
No SUS, o rastreamento mamográfico de risco habitual passou a ser bienal dos 50 aos 74 anos.
Ultrassom complementa achados; não substitui nem acompanha obrigatoriamente toda mamografia.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A paciente tem 35 anos, é assintomática e não possui indicação de mamografia de rotina apenas pela idade. A recomendação do INCA atualizada em 2025 é rastreamento mamográfico bienal dos 50 aos 74 anos para pessoas de risco habitual. Ultrassonografia não é exame de rastreamento isolado e não deve ser associada automaticamente à mamografia.
A história materna de câncer de ovário merece atenção genética, mesmo com diagnóstico tardio. A conduta atual não é solicitar diretamente apenas BRCA1: deve-se construir heredograma, confirmar tipos e idades dos cânceres, aplicar instrumento de risco e considerar aconselhamento genético, que pode indicar painel multigênico. O câncer intestinal paterno pode sugerir síndrome de Lynch dependendo da idade, histologia e agregação familiar.
O gabarito reflete que, entre as alternativas, não há indicação de imagem mamária imediata nem de teste isolado de BRCA1. O exame clínico deve procurar sinais ou sintomas, e a paciente deve ser orientada a retornar diante de nódulo, retração, descarga papilar sanguinolenta ou alteração cutânea. Obesidade e tabagismo exigem prevenção, mas não antecipam por si só a mamografia para 35 anos.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Mamografia e ultrassonografia simultâneas em mulher assintomática de 35 anos aumentam falsos positivos e procedimentos desnecessários. Ultrassom é complementar quando há achado clínico ou radiológico.
B) Incorreta. O exame das mamas é aceitável na consulta, mas a mamografia de rastreamento não está indicada apenas pela idade ou pelos fatores reprodutivos descritos.
C) Incorreta. A história familiar deve motivar avaliação de risco hereditário, mas não pesquisa direta e isolada de BRCA1. O processo correto inclui aconselhamento e, se indicado, teste de BRCA1, BRCA2 ou painel mais amplo, idealmente começando por familiar afetado quando possível.
D) Correta (gabarito). Entre as opções, examinar a paciente e manter acompanhamento clínico sem imagem precoce é a conduta adequada. Pela prática atual, deve-se acrescentar avaliação estruturada do risco genético por causa do câncer de ovário materno.