Uma paciente de 26 anos, com 39 semanas de gestação, comparece ao pronto-socorro da maternidade queixando-se de perda de líquido claro em abundante quantidade há 2 horas. Ela nega outras queixas e refere movimentação fetal ativa. Pré-natal de risco habitual e sem antecedentes pessoais e familiares. Ao exame físico, a paciente apresenta dinâmica uterina ausente, frequência cardíaca fetal de 140 batimentos por minuto com boa variabilidade, feto cefálico e altura uterina de 34 cm. Ao exame especular, apresenta saída de líquido claro com grumos grandes em moderada quantidade e visualizado colo pérvio 1 polpa digital.
Pegadinha central: líquido saindo pelo colo no espéculo confirma; não precisa colecionar testes.
Ultrassom normal não exclui rotura.
Evite toque digital repetido antes do trabalho de parto.
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Contexto
A paciente apresenta rotura pré-laboral das membranas a termo: perda súbita e abundante de líquido antes do início das contrações. O exame especular mostra líquido claro com grumos, compatíveis com vérnix, saindo pelo colo. Visualização direta de líquido amniótico escapando do colo ou acumulado no fórnice confirma clinicamente o diagnóstico.
Testes de pH, cristalização em folha de samambaia e ensaios imunocromatográficos são reservados para dúvida, pois podem sofrer falsos resultados. Sangue, sêmen, vaginose e antissépticos podem elevar o pH; secreção escassa pode gerar falso negativo. Ultrassonografia pode mostrar oligodrâmnio e ajudar no manejo, mas volume normal não exclui rotura e volume reduzido não determina sozinho a causa.
Deve-se evitar toque vaginal digital repetido antes do trabalho de parto, pois ele reduz o período de latência e aumenta risco de infecção. A avaliação deve incluir sinais de corioamnionite, apresentação fetal e status do estreptococo do grupo B. Em gestação a termo, costuma-se recomendar indução do parto se o trabalho não se iniciar espontaneamente, conforme protocolo e decisão compartilhada.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A história típica e a visualização especular de líquido com vérnix saindo pelo colo são suficientes para diagnosticar rotura das membranas.
B) Incorreta. Ultrassom é complementar para avaliar líquido e feto, mas não é necessário para confirmar quando há saída direta de líquido amniótico.
C) Incorreta. pH ou teste imunocromatográfico são úteis se o exame for inconclusivo. Exigi-los em um caso evidente acrescenta custo e possibilidade de resultado discordante.
D) Incorreta. Cristalização e teste imunocromatográfico também são métodos auxiliares, não obrigatórios quando o líquido é visualizado diretamente.