Uma mulher com 26 anos, foi atendida pela equipe de triagem de uma unidade de saúde da família localizada na área rural de um município de pequeno porte. Em razão de queixa de atraso de alguns dias da menstruação, a paciente realizou um teste rápido de gravidez, que se revelou positivo. O médico que a atende, após anamnese completa e exame clínico, classifica-a como gestante de baixo risco e solicita testes rápidos para hepatite B, sífilis (teste treponêmico) e HIV. Os resultados de todos os exames, exceto o de sífilis, são negativos. A paciente relata que não tem alergia a medicamentos, que nunca teve sífilis nem realizou tratamento medicamentoso para essa doença. O médico solicita que ela compareça com seu parceiro à próxima consulta, para que ele também realize os testes rápidos e decide, então, iniciar, para a paciente, o tratamento para sífilis tardia.
Pegadinha central: duas doses de 1,2 milhão significam duas injeções na mesma semana, totalizando 2,4 milhões.
Sífilis tardia na gestação: 2,4 milhões por semana por 3 semanas.
Duas diluições equivalem a queda de quatro vezes no título do VDRL.
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Contexto
Gestante sem história de tratamento e sem possibilidade de definir quando ocorreu a infecção deve ser tratada como sífilis latente tardia ou de duração ignorada. O Ministério da Saúde recomenda benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões de UI intramuscular uma vez por semana durante 3 semanas, total de 7,2 milhões de UI. Cada aplicação semanal é dividida em duas injeções de 1,2 milhão, uma em cada glúteo.
Na gestação, o VDRL deve ser monitorado mensalmente. Resposta sorológica adequada é queda de pelo menos duas diluições, equivalente a redução de quatro vezes no título, como de 1:32 para 1:8, no período esperado para o estágio. Elevação de duas diluições sugere reinfecção ou falha.
O intervalo entre as doses deve ser rigorosamente semanal. Se o atraso ultrapassar o limite aceito pelo protocolo para gestantes, o esquema deve ser reiniciado, porque apenas a penicilina em regime completo previne transmissão vertical. A parceria deve ser testada e tratada, mas o tratamento da gestante não pode esperar sua presença.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Uma única ampola de 1,2 milhão por semana fornece metade da dose necessária. Além disso, queda de uma diluição, como 1:32 para 1:16, não representa resposta sorológica adequada.
B) Correta (gabarito). Duas injeções de 1,2 milhão na mesma semana totalizam 2,4 milhões de UI, repetidas semanalmente por 3 semanas. O VDRL é mensal e espera-se queda de pelo menos duas diluições.
C) Incorreta. Duas semanas fornecem apenas 4,8 milhões de UI e deixam o esquema tardio incompleto. Na gestante, o controle não deve ser restrito aos meses 3, 9 e 12.
D) Incorreta. Além de duração insuficiente, uma ampola semanal subdoseia a penicilina. O seguimento mensal durante a gestação é obrigatório.