Atendimento inicial ao politraumatizado (ATLS)

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 37
INEP · 2023

Um paciente com 25 anos, vítima de acidente motociclístico, apresenta trauma contuso toracoabdominal. No local do acidente, encontrava-se com pressão arterial sistólica de 90 mmHg e com frequência cardíaca de 120 batimentos por minuto. Durante o transporte para o hospital, evoluiu com inconsciência, queda da pressão arterial sistólica para 60 mmHg e aumento da frequência cardíaca para 140 batimentos por minuto. Apresenta distensão de veias cervicais e murmúrio vesicular presente bilateralmente.

Nesse caso, o manejo mais adequado para o paciente é
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Choque progressivo, turgência jugular e murmúrio vesicular presente bilateralmente indicam choque obstrutivo por tamponamento cardíaco. A presença de arritmia respiratória normal nos dois hemitórax reduz a probabilidade de pneumotórax hipertensivo, principal diagnóstico diferencial no trauma.

O sangue acumulado no pericárdio eleva a pressão intrapericárdica, limita o enchimento das câmaras direitas e reduz o débito cardíaco. O eFAST pode demonstrar líquido pericárdico, mas em paciente em deterioração extrema o controle da causa não deve ser atrasado.

O gabarito propõe manutenção da via aérea e pericardiocentese, medida temporizadora quando não há acesso cirúrgico imediato. Protocolos atuais de trauma enfatizam que hemopericárdio pode coagular e não drenar pela agulha; em centro capacitado, toracotomia ou janela pericárdica com reparo da lesão é o tratamento definitivo. Ventilação com pressão positiva deve ser usada com cautela, pois pode reduzir ainda mais o retorno venoso.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Toracocentese e drenagem tratam pneumotórax hipertensivo ou hemotórax. O murmúrio simétrico e a turgência jugular favorecem tamponamento.

B) Correta (gabarito). Deve-se garantir oxigenação e descomprimir o pericárdio. A pericardiocentese é ponte aceitável na instabilidade quando a abordagem cirúrgica imediata não está disponível.

C) Incorreta. Ultrassom pode confirmar rapidamente o diagnóstico, mas não trata o choque. Intubação isolada pode piorar a hemodinâmica se a descompressão não for realizada.

D) Incorreta. Cricotireoidostomia não é indicada sem obstrução de via aérea. Toracotomia pode ser definitiva em cenário selecionado, mas a combinação proposta inclui procedimento de via aérea desnecessário.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: choque mais jugulares turgidas e pulmões ventilados aponta tamponamento.

  • Pericardiocentese no trauma é ponte; cirurgia é o tratamento definitivo.

  • Pressão positiva antes de aliviar o tamponamento pode precipitar parada.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Atendimento inicial ao politraumatizado (ATLS)” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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