Um homem de 22 anos é atendido em hospital de médio porte após ter mergulhado em lagoa e ter batido a cabeça em uma pedra submersa. Ao chegar ao hospital, após ser trazido pela equipe de atendimento pré-hospitalar, encontra-se consciente, com colar cervical, imobilizado adequadamente em prancha rígida. Relata que apresenta sensibilidade diminuída (graduação sensorial 1) do primeiro ao terceiro dedos das mãos, mas não identifica toque leve ou estímulos dolorosos no quarto e no quinto dedos das mãos, no tronco, na pelve e nos membros inferiores. Realiza a extensão dos cotovelos (tríceps) apenas com os membros superiores apoiados sobre o leito, sem ação da gravidade (força muscular grau 2), e não consegue fletir os dedos das mãos ou mover o tronco, a pelve e ou os membros inferiores.
Pegadinha central: localize primeiro pelo último miotomo preservado e pelo primeiro ausente.
Tríceps é C7; flexão dos dedos e dedo mínimo apontam C8.
Déficit neurológico após trauma cervical exige tomografia e ressonância, sem retirar a imobilização.
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Contexto
O exame neurológico localiza uma lesão cervical baixa. A sensibilidade está parcialmente preservada nos três primeiros dedos, correspondentes principalmente aos dermátomos C6 e C7, e ausente no quarto e no quinto dedos, território predominante de C8, além de tronco e membros inferiores. O tríceps, miotomo C7, realiza movimento apenas sem ação da gravidade, força grau 2, enquanto a flexão dos dedos, função predominante de C8, está ausente.
Esse nível motor e sensitivo é compatível com trauma na transição cervicotorácica, especialmente fratura de C7 com subluxação C7-T1 e lesão medular associada. A correlação entre nível vertebral e segmento medular não é perfeitamente idêntica, mas lesões de C1, C2 ou C3 produziriam comprometimento muito mais alto, com perda de funções proximais dos membros superiores e maior risco respiratório.
O diagnóstico anatômico definitivo exige tomografia da coluna cervical e, diante de déficit neurológico, ressonância para avaliar medula, discos e ligamentos. A imobilização deve ser mantida e a equipe de coluna acionada com urgência.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A fratura de Jefferson acomete o atlas, C1, após carga axial. Uma lesão neurológica nesse nível não preservaria o padrão motor e sensitivo até C6 ou C7 descrito.
B) Correta (gabarito). O comprometimento parcial de C7 e a perda das funções de C8 e abaixo localizam o trauma na região cervical baixa, compatível com fratura de C7 e subluxação C7-T1.
C) Incorreta. Fratura do processo transverso de C3 pode lesar a artéria vertebral, mas não explicaria um nível sensitivo em C8 nem preservação das funções cervicais superiores.
D) Incorreta. A fratura do enforcado é fratura bilateral da parte interarticular de C2. O nível neurológico seria muito superior ao demonstrado pelo exame.