Doenças orificiais

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 62
INEP · 2023

Um paciente com 40 anos, diabético e obeso, comparece ao pronto-socorro, com evolução de 24 horas de dor em nádega direita e febre. O exame físico indica nádega direita sem sinais de flogose, com dor à palpação perianal. Ao exame de toque retal, notam-se fezes e discreta elevação da mucosa, a cerca de 6 cm da margem anal.

Nesse caso, devem ser prescritos ao paciente o uso de
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Febre, dor perianal profunda e elevação dolorosa da mucosa ao toque retal, sem inflamação visível na pele, sugerem abscesso anorretal profundo, como abscesso interesfincteriano, isquiorretal com extensão superior ou supraelevador. Coleções profundas podem não produzir hiperemia, flutuação ou edema externos, por isso o toque retal e, quando necessário, tomografia ou ressonância ajudam a definir a localização.

A Diretriz da American Society of Colon and Rectal Surgeons de 2022 estabelece que o tratamento primário do abscesso anorretal agudo é drenagem rápida e adequada. Antibióticos não esterilizam uma cavidade fechada e não substituem o controle do foco. Eles são adjuvantes quando há sinais sistêmicos, celulite, imunossupressão ou comorbidades relevantes. Neste caso, febre e diabetes justificam cobertura antimicrobiana associada à abordagem cirúrgica.

A via de drenagem depende da anatomia. Abscessos profundos não devem ser abertos de forma improvisada, porque uma drenagem pelo trajeto errado pode criar fístula complexa. O paciente necessita avaliação cirúrgica urgente, analgesia, controle glicêmico e drenagem orientada pelo compartimento comprometido.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Anuscopia pode complementar a avaliação em casos selecionados, mas anti-inflamatório e exame isolado não controlam a coleção purulenta nem a sepse em formação.

B) Incorreta. Antibiótico isolado com retorno em 7 dias mantém o foco fechado e expõe o paciente diabético a progressão para sepse, necrose e extensão pelos espaços anorretais.

C) Correta (gabarito). O abscesso exige drenagem cirúrgica, e o diabetes associado à febre sustenta o uso adjuvante de antibiótico. O procedimento deve ser planejado conforme a localização profunda sugerida pelo toque.

D) Incorreta. Banho de assento e anti-inflamatório podem aliviar desconforto de afecções superficiais benignas, mas não drenam um abscesso anorretal profundo.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: ausência de vermelhidão na nádega não exclui abscesso anorretal profundo.

  • Abscesso anorretal é doença de drenagem; antibiótico é complemento, não substituto.

  • Diabetes, febre, celulite ou imunossupressão reforçam a indicação de antimicrobiano.

  • Coleção alta ou oculta pode exigir imagem para definir a via segura de drenagem.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Doenças orificiais” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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