Um paciente de 20 anos, vítima de colisão frontal de automóvel contra parede de alvenaria, em alta velocidade, sem cinto de segurança e sem airbag, é trazido por familiares a um pronto-socorro. Ao exame, o rapaz apresenta traumatismo craniofacial extenso, escala de coma de Glasgow de 6, sinais de fratura e de instabilidade do arco mandibular, laceração e perda tissular significativa no segmento — lábios, língua, gengivas e elementos dentários — associadas a sangramento profuso.
Pegadinha central: Glasgow baixo indica via aérea definitiva, mas a anatomia define se ela será oral ou cirúrgica.
Trauma facial destrutivo mais sangramento maciço é cenário clássico de cricotireoidostomia.
Não prolongue repetidas tentativas de intubação enquanto a oxigenação piora.
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Contexto
O paciente tem Glasgow 6 e não protege a via aérea. Além disso, a fratura mandibular instável, a destruição de lábios, língua e gengivas e o sangramento profuso tornam a laringoscopia extremamente difícil, com perda de referências anatômicas e rápida inundação da orofaringe.
O ATLS 11 orienta que, diante de uma via aérea que não pode ser intubada nem oxigenada adequadamente, deve-se estabelecer via aérea cirúrgica de emergência. Em adulto jovem, a cricotireoidostomia cirúrgica é mais rápida e tecnicamente mais simples que a traqueostomia. Enquanto o procedimento é preparado, realizam-se aspiração contínua, oxigenação, proteção cervical e tentativas breves de ventilação sem atrasar a via definitiva.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Aspiração e oxigênio são medidas temporárias, mas cânula orofaríngea e máscara não protegem contra aspiração, não controlam o sangramento e não asseguram ventilação em paciente com Glasgow 6.
B) Incorreta. A intubação oral seria a escolha usual para trauma com rebaixamento, porém a anatomia destruída e o sangramento profuso tornam a visualização e a passagem do tubo improváveis e perigosamente demoradas.
C) Correta (gabarito). A cricotireoidostomia fornece acesso rápido à traqueia abaixo da obstrução e é a via cirúrgica de emergência indicada quando a intubação é inviável no trauma maxilofacial grave.
D) Incorreta. Traqueostomia exige dissecção mais extensa, maior tempo e melhores condições operatórias. Pode substituir posteriormente a cricotireoidostomia, mas não é a manobra inicial mais rápida.