Uma mulher de 28 anos de idade, profissional do sexo, vai a uma consulta com o médico de família e comunidade buscando orientações para prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (IST). Ela refere manter atividade sexual com preservativo sempre que possível. Sua última relação sem uso de preservativo foi há 1 semana. Ela não apresenta alterações ao exame físico nem alergia medicamentosa e realizou testes rápidos para IST há 5 meses, todos não reagentes. Foi solicitado teste rápido (TR) para sífilis, com resultado reagente, e para HIV, com resultado não reagente.
Pegadinha central: teste rápido diagnostica contato; VDRL mede atividade e acompanha resposta.
Teste negativo há menos de 1 ano permite classificar latente recente e tratar com dose única.
Profissional do sexo com exposição contínua deve receber oferta de PrEP, preservativos e rastreamento periódico de IST.
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Contexto
O teste rápido para sífilis é treponêmico e permanece reagente por muitos anos após infecção, mesmo depois de tratamento. Como a paciente tinha testes não reagentes há 5 meses e agora está assintomática, a infecção ocorreu dentro do último ano e pode ser classificada como sífilis latente recente, desde que não haja história de tratamento posterior.
O PCDT de Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde e o Guia Rápido de Sífilis de 2024 orientam iniciar tratamento em pessoa sem diagnóstico prévio após teste rápido reagente, especialmente quando há risco de perda de seguimento, e colher teste não treponêmico no mesmo dia. O VDRL fornece título basal para monitorar resposta, mas não se deve esperar seu resultado para tratar.
O seguimento da sífilis adquirida é feito com VDRL periódico, comparando títulos. As parcerias devem ser avaliadas e tratadas conforme exposição. A relação sem preservativo ocorreu há uma semana, fora da janela de 72 horas da profilaxia pós-exposição ao HIV, mas a paciente deve repetir o teste após a janela e é candidata à profilaxia pré-exposição pelo risco continuado, além de rastreamento para hepatites, gonorreia e clamídia.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O esquema de três doses é para sífilis tardia ou de duração ignorada. Testes negativos há 5 meses documentam infecção recente, e teste rápido não é usado para controle de cura.
B) Incorreta. O teste treponêmico pode permanecer reagente por toda a vida e não deve ser repetido mensalmente para seguimento. O esquema de três doses também é excessivo para sífilis recente.
C) Correta (gabarito). VDRL deve ser colhido para titulação basal e acompanhamento, o HIV deve ser repetido após a janela, outras IST devem ser rastreadas, o caso deve ser notificado e a sífilis recente deve ser tratada com 2,4 milhões de UI de penicilina benzatina em dose única. O tratamento não precisa aguardar o VDRL.
D) Incorreta. Repetir outro teste rápido não fornece título de seguimento, e doxiciclina não deve ser associada à penicilina em paciente sem alergia. Ela é alternativa quando penicilina não pode ser usada, fora da gestação.