Uma paciente com 21 anos, nuligesta, comparece à consulta em um centro de saúde com queixa de amenorreia há 6 meses, acne com pústulas, aumento de pelos, principalmente na face e nos membros inferiores. Relata dificuldade em perder peso e ciclos menstruais irregulares e longos desde a menarca. Afirma ser sexualmente ativa. É realizado, durante o atendimento, teste rápido para gravidez, com resultado negativo. Ao exame físico, apresenta índice de massa corpórea de 30 kg/m2, pressão arterial de 120 × 70 mmHg.
Pegadinha central: SOP é diagnóstico de exclusão, não diagnóstico feito apenas pelo ultrassom.
Exclusões obrigatórias mais cobradas: gravidez, TSH, prolactina e 17-hidroxiprogesterona.
Antiandrogênio exige contracepção eficaz.
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Contexto
A paciente apresenta disfunção ovulatória crônica, manifestada por ciclos longos e amenorreia, associada a hiperandrogenismo clínico, com hirsutismo e acne. Após excluir gestação, o quadro sugere síndrome dos ovários policísticos, mas o diagnóstico exige excluir doenças que imitam essa apresentação.
A Diretriz Internacional Baseada em Evidências para SOP de 2023 recomenda excluir pelo menos disfunção tireoidiana, hiperprolactinemia e hiperplasia adrenal congênita não clássica, investigada com 17-hidroxiprogesterona. TSH é o exame inicial da tireoide, complementado por T4 livre quando alterado ou conforme suspeita clínica. Também se avaliam testosterona total ou livre e risco metabólico com pressão arterial, glicemia ou teste oral de tolerância à glicose e perfil lipídico.
Ultrassonografia não é obrigatória quando já existem hiperandrogenismo e disfunção ovulatória, pois dois critérios de Rotterdam estão presentes. Espironolactona não deve ser iniciada isoladamente em mulher sexualmente ativa sem contracepção segura, por risco de feminilização de feto masculino.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). TSH, avaliação tireoidiana, prolactina e 17-hidroxiprogesterona integram a exclusão inicial das principais causas alternativas antes de firmar SOP.
B) Incorreta. Cortisol é reservado para sinais de síndrome de Cushing, e DHEA-S é mais útil quando há suspeita de origem adrenal ou virilização rápida. O perfil metabólico é necessário, mas a alternativa omite as exclusões básicas.
C) Incorreta. Etinilestradiol não é utilizado em dose de 10 mg por 10 dias como teste de permeabilidade uterina. O teste clássico de privação utiliza progestagênio, e nem ele substitui a investigação etiológica inicial.
D) Incorreta. Ultrassonografia não é necessária para confirmar SOP quando os outros dois critérios já estão presentes. Espironolactona antes de contracepção e exclusão diagnóstica expõe a risco fetal e efeitos adversos.