Atendimento inicial ao politraumatizado (ATLS)

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 17
INEP · 2023

Um paciente com 45 anos, vítima de colisão automobilística do tipo auto vs anteparo (muro) com velocidade aproximada de 60 km/h, foi trazido à unidade de emergência pelo serviço de resgate pré-hospitalar em prancha rígida e com colar cervical. Relata que estava utilizando cinto de segurança e que o air-bag foi acionado. Nega qualquer sintomatologia no momento. Na avaliação primária, feita na chegada do paciente à sala de emergência, registram-se: vias aéreas pérvias, exame respiratório normal, frequência respiratória de 22 incursões respiratórias por minuto, frequência cardíaca de 88 batimentos por minuto, pressão arterial de 130 × 90 mmHg. Além disso, apresentou exame neurológico sumário normal, Escala de Coma de Glasgow de 15 e ausência de lesões externas aparentes.

Em relação à imobilização da coluna desse paciente, a conduta mais adequada é
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O paciente está alerta, hemodinamicamente estável, sem sintomas, sem déficit neurológico e sem lesão aparente. Em trauma contuso, regras clínicas como NEXUS permitem liberar a coluna cervical sem imagem quando não há dor ou sensibilidade na linha média, déficit focal, alteração de consciência, intoxicação ou lesão distratora.

O ATLS 11 recomenda retirar a prancha rígida o mais cedo possível, pois ela é dispositivo de transporte e pode causar dor, lesão por pressão e comprometimento respiratório. Para examinar toda a coluna posterior, realiza-se rolamento em bloco com alinhamento neutro, palpação cuidadosa e exame neurológico.

Se surgir dor cervical, sensibilidade mediana, parestesia, déficit, intoxicação ou outra condição que torne o exame pouco confiável, a coluna não deve ser liberada clinicamente e a tomografia é o método de escolha no adulto de risco. Radiografia simples isolada pode não visualizar adequadamente a transição cervicotorácica.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Imagem não é obrigatória em paciente plenamente avaliável que preenche critérios de baixo risco. Quando a imagem é indicada no trauma adulto relevante, tomografia é superior a radiografias simples.

B) Incorreta. Manter o paciente na prancha por 6 horas é desnecessário e potencialmente lesivo. Colar e prancha não devem ser retirados em etapas arbitrárias sem exame completo.

C) Incorreta. Doze horas de imobilização não acrescentam segurança em paciente alerta e assintomático e aumentam complicações da prancha.

D) Correta (gabarito). O rolamento em bloco permite examinar a coluna posterior mantendo alinhamento. Se não houver dor, sensibilidade ou déficit e os critérios clínicos forem atendidos, colar e prancha podem ser retirados.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: prancha rígida é para extricação e transporte, não para observação prolongada.

  • Paciente alerta e sem critérios de risco pode ter liberação clínica da coluna.

  • Se precisar de imagem no adulto, prefira tomografia a radiografia simples.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Atendimento inicial ao politraumatizado (ATLS)” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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