Um menino com 13 anos, previamente saudável, foi avaliado no ambulatório de pneumologia, por causa de uma história de 20 dias de febre (> ou = 38 °C), mal-estar, sudorese noturna profusa e tosse seca, que não foram modificados pelo tratamento prévio com amoxicilina. Ao exame físico, foram observados no paciente múltiplos linfonodos de consistência endurecida, fixos, indolores, em cadeia cervical e supraclavicular esquerda, com diâmetro entre 2 a 5 cm cada um. Foi realizada radiografia de tórax, que mostrou infiltrados pulmonares bilaterais, arredondados, e adenopatia hilar bilateral.
Pegadinha central: suspeita de linfoma pede biópsia que preserve a arquitetura, não punção aspirativa isolada.
Supraclavicular, duro, fixo, indolor e maior que 2 cm é linfonodo de alto risco.
Sintomas B: febre, sudorese noturna profusa e perda de mais de 10% do peso em 6 meses.
PET-TC estagia e avalia resposta, mas o diagnóstico continua histológico.
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Contexto
Febre persistente, sudorese noturna profusa, mal-estar e linfonodos cervicais e supraclaviculares endurecidos, fixos, indolores e maiores que 2 cm são sinais de alarme para malignidade linfoproliferativa. No adolescente, o linfoma de Hodgkin frequentemente se apresenta com adenopatia cervical ou supraclavicular e massa mediastinal. Febre superior a 38 °C e sudorese noturna encharcante integram os sintomas B; perda de peso superior a 10% em 6 meses seria o terceiro componente.
A confirmação exige tecido suficiente para demonstrar arquitetura linfonodal e identificar células de Reed-Sternberg em contexto imunofenotípico apropriado. Por isso, a biópsia excisional de um linfonodo periférico suspeito é preferida. Punção aspirativa isolada costuma ser insuficiente para classificar linfoma, pois fornece células dispersas e perde a arquitetura.
O NCI PDQ de Linfoma de Hodgkin Pediátrico de 2025 utiliza tomografia e PET com FDG no estadiamento. A PET-TC de corpo inteiro define distribuição metabólica, doença extranodal, resposta ao tratamento e pode evitar procedimentos de menor rendimento em cenários selecionados. A imagem não substitui a confirmação histológica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Mononucleose costuma causar linfonodos móveis e dolorosos ou sensíveis, faringite, fadiga e possível hepatoesplenomegalia. Biópsia aspirativa não é a estratégia ideal para o padrão fortemente suspeito de linfoma.
B) Incorreta. Tuberculose ganglionar é diferencial relevante, mas hemocultura não confirma tuberculose e tomografia de corpo inteiro não substitui microbiologia ou histologia. O padrão de linfonodo supraclavicular fixo, sintomas B e adenopatia hilar favorece linfoma.
C) Incorreta. Pneumonia comunitária não explica 20 dias de sintomas constitucionais, múltiplos linfonodos supraclaviculares fixos e indolores nem adenopatia hilar bilateral. PET-TC também não é exame para confirmar pneumonia comum.
D) Correta (gabarito). O quadro é altamente sugestivo de linfoma de Hodgkin. A biópsia excisional confirma o diagnóstico e preserva a arquitetura, enquanto a PET-TC de corpo inteiro participa do estadiamento.