Uma criança com 8 anos chega, com sua mãe, à unidade de saúde da família com queixa de dispneia e sibilância há cerca de 2 horas. A criança tem histórico de asma, em acompanhamento na unidade, fazendo uso de beclometasona 200 mcg por dia. Quando questionada sobre o controle das crises da criança, a mãe refere que vinha usando salbutamol 100 mcg, 3 a 4 vezes por semana, devido a quadros de tosse seca e discreto desconforto respiratório. Relata que, hoje, porém, mesmo após 2 puffs de salbutamol, os sintomas apresentados pela criança estavam mais intensos e persistentes. A criança demonstra desconforto e agitação, com fala entrecortada, frequência respiratória de 32 incursões respiratórias por minuto, frequência cardíaca de 110 batimentos por minuto, saturação de O2 de 89% em ar ambiente, sibilos difusos e tiragem intercostal.
Pegadinha central: saturação de 89% mais fala entrecortada exige oxigênio, tratamento intensivo e transferência, não simples observação.
Na primeira hora, SABA por espaçador pode ser repetido a cada 20 minutos, com ipratrópio nas crises graves.
Prednisolona em criança: 1 a 2 mg/kg ao dia, máximo de 40 mg, por 3 a 5 dias no esquema clássico cobrado.
Uso frequente de salbutamol denuncia asma não controlada; antes de subir o passo, revise adesão e técnica.
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Contexto
Saturação de 89% em ar ambiente, fala entrecortada, agitação, tiragem, frequência respiratória de 32 e sibilância difusa caracterizam exacerbação asmática grave. A criança deve receber tratamento enquanto se organiza transferência para serviço capaz de internação e monitorização. Oxigênio deve ser titulado para saturação de 94% a 98% em crianças, evitando tanto hipoxemia quanto oferta desnecessariamente excessiva.
O GINA 2026 recomenda broncodilatador de ação rápida repetido na primeira hora, preferencialmente por inalador pressurizado com espaçador quando possível. Uma dose de 4 a 10 jatos de salbutamol pode ser repetida a cada 20 minutos nas primeiras administrações. Em crise grave, associa-se brometo de ipratrópio e administra-se precocemente corticosteroide sistêmico. O esquema cobrado utiliza prednisolona de 1 a 2 mg/kg ao dia, máximo de 40 mg, por 3 a 5 dias.
O uso de salbutamol três a quatro vezes por semana antes da crise demonstra controle inadequado e risco aumentado. Depois da estabilização, deve-se revisar diagnóstico, adesão, técnica inalatória, exposições e comorbidades antes do escalonamento. Para crianças de 6 a 11 anos no passo 3, o GINA aceita alternativas como corticoide inalatório em dose média, combinação de corticoide inalatório com LABA ou regime MART com corticoide-formoterol, conforme disponibilidade e perfil. A alternativa C reúne a abordagem aguda correta e um escalonamento controlador. O aumento simultâneo da dose de beclometasona e a associação de LABA devem ser individualizados, e LABA nunca deve ser utilizado sem corticoide inalatório.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O alvo de 93% a 95% é utilizado para adultos e adolescentes em algumas recomendações, enquanto crianças de 6 a 11 anos têm alvo de 94% a 98%. Prednisolona de 2 a 4 mg/kg excede a dose usual e aumenta efeitos adversos sem benefício proporcional.
B) Incorreta. O alvo de oxigênio e a dose de prednisolona estão adequados, mas dois jatos de salbutamol são insuficientes para uma crise grave, e o plano de manutenção não contempla uma opção completa de passo 3 para o mau controle persistente.
C) Correta (gabarito). A alternativa oferece oxigênio para 94% a 98%, seis jatos de SABA repetíveis a cada 20 minutos, ipratrópio, prednisolona de 1 a 2 mg/kg e transferência para internação. Também reconhece a necessidade de intensificar o tratamento controlador com corticoide inalatório e LABA.
D) Incorreta. Dois jatos são insuficientes, manter a mesma dose de beclometasona ignora o mau controle, e observar na unidade sem remoção subestima hipoxemia, fala entrecortada e tiragem. LABA não deve ser acrescentado sem ajuste adequado do corticoide e plano de seguimento.