Uma paciente com 27 anos, primigesta, com 37 semanas, foi admitida no pronto atendimento com quadro de dor abdominal súbita, sangramento vaginal vermelho vivo de pequena/moderada quantidade. Foi realizado o diagnóstico de descolamento prematuro de placenta e um dos médicos da equipe propôs a realização de amniotomia durante o toque vaginal, pois, ao exame físico, constatou-se que o colo é pérvio para 4 cm e é possível a palpação das membranas com facilidade, e que o bebê está em nível + 1 de plano de apresentação.
Pegadinha central: no DPP com parto vaginal viável, amniotomia é medida terapêutica, não fator de piora.
DPP grave consome fibrinogênio e pode causar CIVD.
A via de parto depende da mãe, do feto e da iminência do nascimento; sofrimento fetal com parto distante favorece cesariana.
Amniotomia não substitui ressuscitação, coagulograma e hemocomponentes.
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Contexto
Descolamento prematuro de placenta é a separação da placenta normalmente inserida antes do nascimento. O sangramento pode ser externo ou ficar retido atrás da placenta. A liberação de fator tecidual e a passagem de tromboplastina para a circulação materna podem desencadear consumo de fibrinogênio e coagulação intravascular disseminada, sobretudo em descolamentos extensos.
Com colo dilatado, membranas acessíveis e apresentação baixa no plano +1, a amniotomia pode ser utilizada quando o parto vaginal é considerado possível e não há indicação de cesariana imediata. A ruptura das membranas reduz a distensão e a pressão intrauterina, favorece a progressão do trabalho de parto e, pela lógica obstétrica clássica cobrada na questão, diminui a absorção de tromboplastina e o risco de coagulopatia.
Na prática atual, a decisão sobre a via e a urgência do parto depende primeiro da estabilidade materna, intensidade da hemorragia, vitalidade fetal e proximidade do nascimento. Feto vivo com sofrimento e parto vaginal não iminente costuma exigir cesariana. A amniotomia não substitui dois acessos venosos, hemograma, coagulograma com fibrinogênio, reserva de hemocomponentes e correção rápida do choque ou da coagulopatia.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Embolia por líquido amniótico é evento raro e imprevisível, e o risco não constitui contraindicação rotineira à amniotomia no manejo do descolamento.
B) Incorreta. A amniotomia pode acelerar o trabalho de parto, mas seu benefício não é reduzir especificamente o tempo de dequitação da placenta após o nascimento.
C) Correta (gabarito). No contexto apresentado, o médico estava correto ao propor amniotomia, que reduz a pressão intrauterina, favorece a resolução e, segundo o racional clássico da questão, reduz a passagem de tromboplastina e o risco de CIVD.
D) Incorreta. A amniotomia não é associada a ampliação da área de descolamento como regra. A descompressão uterina tende a favorecer o controle e a progressão do parto quando a via vaginal foi escolhida.