Uma paciente primigesta de 16 anos, com 36 semanas de idade gestacional, procura a unidade básica de saúde apresentando ruptura prematura de membranas ovulares. Encaminhada ao hospital em franco trabalho de parto, é admitida em período expulsivo. O recém-nascido (RN), acolhido pela equipe de neonatologia, tem peso adequado para a idade gestacional e sua avaliação na escala Apgar é de 9/9 no primeiro e quinto minutos. No entanto, após 36 horas do nascimento, o RN apresenta quadro de pneumonia e evolui rapidamente para sepse.
Pegadinha central: a prevenção da doença neonatal precoce por estreptococo do grupo B é feita no intraparto, não por tratamento antenatal para erradicar colonização.
Doença precoce costuma aparecer nos primeiros dias com sepse, pneumonia ou meningite.
Ruptura de membranas por 18 horas ou mais, febre intraparto e prematuridade aumentam o risco quando o estado de colonização é desconhecido.
Penicilina G intravenosa é a referência para profilaxia intraparto.
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Contexto
Sepse e pneumonia nas primeiras horas ou dias de vida caracterizam doença neonatal de início precoce, adquirida principalmente por transmissão vertical durante o trabalho de parto ou após ruptura das membranas. O Streptococcus agalactiae, estreptococo beta-hemolítico do grupo B, é um dos agentes clássicos e pode causar sepse, pneumonia e meningite. Prematuridade, febre intraparto, colonização materna e ruptura de membranas por 18 horas ou mais aumentam o risco.
A prevenção baseia-se em cultura vaginal e retal no fim da gestação e antibioticoprofilaxia intravenosa durante o trabalho de parto quando indicada. O ACOG 2020 recomenda rastreamento universal entre 36 semanas e 37 semanas e 6 dias; protocolos locais podem usar janelas próximas. Penicilina G é a primeira escolha, com alternativas conforme alergia. Também há indicação independentemente da cultura quando houve recém-nascido anterior com doença invasiva por estreptococo do grupo B ou bacteriúria por esse agente na gestação atual. A profilaxia intraparto reduz doença precoce, mas não erradica definitivamente a colonização materna.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). O estreptococo beta-hemolítico do grupo B é alvo de rastreamento vaginal-retal e de profilaxia intraparto para prevenir sepse e pneumonia neonatais precoces.
B) Incorreta. Chlamydia trachomatis está mais associada a conjuntivite neonatal após alguns dias e pneumonia afebril de início mais tardio, geralmente entre 1 e 3 meses, não ao programa de profilaxia intraparto descrito.
C) Incorreta. Staphylococcus aureus pode causar infecção neonatal, sobretudo associada à assistência, mas não é pesquisado rotineiramente por cultura vaginal-retal para essa finalidade.
D) Incorreta. Escherichia coli é causa relevante de sepse precoce, especialmente em prematuros, porém não existe rastreamento pré-natal universal com quimioprofilaxia intraparto dirigido a esse agente.