Infecções na gestação

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 44
INEP · 2023

Uma paciente primigesta de 16 anos, com 36 semanas de idade gestacional, procura a unidade básica de saúde apresentando ruptura prematura de membranas ovulares. Encaminhada ao hospital em franco trabalho de parto, é admitida em período expulsivo. O recém-nascido (RN), acolhido pela equipe de neonatologia, tem peso adequado para a idade gestacional e sua avaliação na escala Apgar é de 9/9 no primeiro e quinto minutos. No entanto, após 36 horas do nascimento, o RN apresenta quadro de pneumonia e evolui rapidamente para sepse.

Nesse caso, para prevenir a ocorrência da sepse, deveria ter sido realizado durante o pré-natal o rastreio e a quimioprofilaxia de qual agente etiológico?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Sepse e pneumonia nas primeiras horas ou dias de vida caracterizam doença neonatal de início precoce, adquirida principalmente por transmissão vertical durante o trabalho de parto ou após ruptura das membranas. O Streptococcus agalactiae, estreptococo beta-hemolítico do grupo B, é um dos agentes clássicos e pode causar sepse, pneumonia e meningite. Prematuridade, febre intraparto, colonização materna e ruptura de membranas por 18 horas ou mais aumentam o risco.

A prevenção baseia-se em cultura vaginal e retal no fim da gestação e antibioticoprofilaxia intravenosa durante o trabalho de parto quando indicada. O ACOG 2020 recomenda rastreamento universal entre 36 semanas e 37 semanas e 6 dias; protocolos locais podem usar janelas próximas. Penicilina G é a primeira escolha, com alternativas conforme alergia. Também há indicação independentemente da cultura quando houve recém-nascido anterior com doença invasiva por estreptococo do grupo B ou bacteriúria por esse agente na gestação atual. A profilaxia intraparto reduz doença precoce, mas não erradica definitivamente a colonização materna.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). O estreptococo beta-hemolítico do grupo B é alvo de rastreamento vaginal-retal e de profilaxia intraparto para prevenir sepse e pneumonia neonatais precoces.

B) Incorreta. Chlamydia trachomatis está mais associada a conjuntivite neonatal após alguns dias e pneumonia afebril de início mais tardio, geralmente entre 1 e 3 meses, não ao programa de profilaxia intraparto descrito.

C) Incorreta. Staphylococcus aureus pode causar infecção neonatal, sobretudo associada à assistência, mas não é pesquisado rotineiramente por cultura vaginal-retal para essa finalidade.

D) Incorreta. Escherichia coli é causa relevante de sepse precoce, especialmente em prematuros, porém não existe rastreamento pré-natal universal com quimioprofilaxia intraparto dirigido a esse agente.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: a prevenção da doença neonatal precoce por estreptococo do grupo B é feita no intraparto, não por tratamento antenatal para erradicar colonização.

  • Doença precoce costuma aparecer nos primeiros dias com sepse, pneumonia ou meningite.

  • Ruptura de membranas por 18 horas ou mais, febre intraparto e prematuridade aumentam o risco quando o estado de colonização é desconhecido.

  • Penicilina G intravenosa é a referência para profilaxia intraparto.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Infecções na gestação” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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