Lombalgia e hérnia de disco

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 56
INEP · 2023

Um homem de 65 anos, trabalhador rural, procura atendimento em uma unidade de atenção primária à saúde por queixa de dor na região lombar esquerda iniciada há 1 mês. A dor vem piorando progressivamente e, nos últimos dias, tem impossibilitado o sono reparador do paciente. Sua esposa se queixa de que as calças do marido estão com cheiro de urina ultimamente. Ao exame, o paciente está lúcido, colaborativo e as mucosas estão úmidas e hipocoradas. Há retificação da coluna lombar, espasmo muscular localizado e dor à palpação delicada das apófises vertebrais de L2 e L3. As manobras de elevação do membro inferior esquerdo estendido (Lasègue) e do membro inferior direito estendido (Lasègue cruzado) não reproduzem a dor. Como o paciente se queixa de dor com o decúbito ventral, o sinal de Lasègue invertido (Wasserman) foi pesquisado em pé. A extensão das coxas com o paciente em ortostatismo também não provocaram dor.

Em relação a essa situação, assinale a opção que apresenta, respectivamente, o diagnóstico clínico correto e a conduta médica apropriada.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Esta lombalgia reúne sinais de alarme: idade de 65 anos, piora progressiva por um mês, prejuízo do sono, palidez sugestiva de anemia, dor localizada sobre L2 e L3 e possível disfunção urinária. O cheiro de urina nas roupas pode indicar incontinência ou retenção com transbordamento, ambas exigindo investigação de comprometimento neurológico e obstrução urinária.

Lasègue e Lasègue cruzado avaliam irritação de raízes lombossacras, sobretudo L5 e S1. Wasserman avalia raízes altas, principalmente L2 a L4. Resultados negativos reduzem a probabilidade de radiculopatia mecânica típica, mas não excluem tumor, infecção, fratura ou compressão da cauda equina.

A imagem preferencial diante de déficit neurológico ou suspeita de compressão é ressonância magnética da coluna lombossacra com urgência. Se houver retenção urinária, anestesia em sela, fraqueza progressiva ou perda de tônus anal, o paciente deve ser encaminhado imediatamente para serviço de emergência e avaliação cirúrgica.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Lombalgia musculoesquelética inespecífica não explica possível disfunção esfincteriana, dor óssea focal, palidez e progressão noturna. Anti-inflamatório isolado pode atrasar diagnóstico grave.

B) Incorreta. Não há dor irradiada nem testes de tensão neural positivos que definam radiculopatia simples. Encaminhar sem localizar a lesão por imagem não é a melhor primeira formulação.

C) Correta (gabarito). A alteração urinária associada aos demais sinais de alarme indica possível comprometimento neurológico ou estrutural. Exame de imagem, preferencialmente ressonância, é obrigatório e deve ser urgente.

D) Incorreta. A profissão pode contribuir para dor mecânica, mas não explica os sinais de alarme. Repouso prolongado também não é recomendado para lombalgia comum, e fisioterapia deve esperar a exclusão de causa grave.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: Lasègue negativo não exclui compressão medular, cauda equina, tumor ou infecção.

  • Disfunção urinária, anestesia em sela e fraqueza progressiva são sinais de emergência.

  • Dor vertebral focal e noturna em idoso exige excluir neoplasia e fratura.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Lombalgia e hérnia de disco” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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