Cirurgia bariátrica

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 97
INEP · 2023

Uma paciente de 28 anos procura unidade básica de saúde solicitando encaminhamento a um serviço de cirurgia bariátrica. Ela relata que desistiu de tratamentos conservadores após tentar emagrecer, sem sucesso, por mais de 10 meses, utilizando métodos farmacológicos e restrição calórica. Também relata que sua vizinha foi submetida à cirurgia bariátrica com menos peso que ela e que perdeu 30 kg em 6 meses, com grande ganho de qualidade de vida. A paciente tem 1,62 m de altura e peso de 112 kg. É portadora de hipertensão arterial sistêmica, a qual é controlada com losartana 100 mg/dia, e diabetes melittus tipo 2, com uso de dapagliflozina 10 mg/dia e de metformina 1 g/dia. Além disso, faz uso de rosuvastatina 20 mg/dia para tratamento de dispilidemia e apresenta amenorreia. Ela também é tabagista e sedentária e revela que sofre de depressão.

Diante dessa demanda da paciente, assinale a opção que apresenta a conduta médica adequada.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O índice de massa corporal é 112 dividido por 1,62 ao quadrado, aproximadamente 42,7 kg/m2. A paciente tem obesidade grau III, diabetes tipo 2, hipertensão e dislipidemia. A Resolução CFM 2.429/2025 mantém elegibilidade para cirurgia bariátrica em pessoas com IMC acima de 40 kg/m2, independentemente de comorbidades, após avaliação apropriada.

A cirurgia não é uma autorização automática para operar. O encaminhamento inicia avaliação multidisciplinar com clínica, cirurgia, nutrição, psicologia ou psiquiatria, enfermagem e outros profissionais. Devem ser abordados tabagismo, depressão, adesão, expectativas, risco reprodutivo, amenorreia, deficiências nutricionais e capacidade de acompanhamento permanente. A resolução atual não exige o período mínimo rígido de tratamento conservador descrito em normas antigas.

A decisão deve ser informada e centrada na paciente, com explicação de benefícios, riscos, técnicas e necessidade de mudanças duradouras. Familiares podem participar se ela desejar, mas não substituem seu consentimento. O uso de dapagliflozina exige planejamento perioperatório por risco de cetoacidose euglicêmica.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A paciente já preenche critério para avaliação cirúrgica, e o prazo de 5 meses em um período de 2 anos não corresponde à regulamentação atual. Tratamento clínico continua, mas não deve ser usado para impedir o encaminhamento.

B) Correta (gabarito). O encaminhamento ao serviço bariátrico é adequado, onde serão discutidas mudanças permanentes, riscos, benefícios e técnicas dentro de avaliação multidisciplinar. A participação familiar depende da vontade da paciente.

C) Incorreta. Reconhece o IMC elevado e a necessidade de equipe multidisciplinar, mas posterga o encaminhamento ao limitar-se a nova estratégia conservadora semanal apesar da elegibilidade atual.

D) Incorreta. Diabetes, hipertensão e dislipidemia reforçam a indicação e não são contraindicações. Depressão deve ser avaliada e tratada, mas antidepressivo não é obrigatório nem pode ser prescrito apenas pelo diagnóstico referido.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: comorbidades da obesidade geralmente reforçam a indicação, não a contraindicam.

  • IMC calculado é 42,7 kg/m2, suficiente para encaminhamento.

  • Cirurgia bariátrica exige seguimento nutricional, clínico e de saúde mental por toda a vida.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Cirurgia bariátrica” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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