TDAH e transtornos do neurodesenvolvimento

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 35
INEP · 2023

Um menino de 6 meses e 15 dias é trazido pela mãe em consulta de puericultura na unidade básica de saúde. A criança recusa papas sólidas e aceita apenas o leite materno. Revisando consultas anteriores, o médico de família e comunidade identifica que a mãe já havia demonstrado preocupação, pois a criança ainda não apresentava sorriso social, não observava a mãe nem olhava nos seus olhos enquanto mamava, não se interessava por outras crianças, não respondia a chamados e não apresentava nenhum tipo de lalação. Por isso, a criança foi encaminhada para investigação com um otorrinolaringologista, o qual não identificou nenhum déficit auditivo. A mãe, de 39 anos, apresentou diabetes gestacional.

Diante desse quadro, a conduta do médico de família deve ser
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A criança apresenta múltiplos sinais de alerta do desenvolvimento social e comunicativo: ausência de sorriso social, pouco contato visual, falta de interesse por pessoas, ausência de resposta a chamados e ausência de lalação. A audição normal reduz uma explicação sensorial simples. A recusa persistente de texturas também pode integrar alteração do desenvolvimento, embora não seja específica de transtorno do espectro autista.

Não se deve fechar diagnóstico de TEA aos 6 meses apenas com esses sinais, mas também não se deve esperar pela idade do rastreamento formal. A American Academy of Pediatrics recomenda vigilância do desenvolvimento em todas as consultas e rastreamento específico para TEA aos 18 e 24 meses. Instrumentos como o M-CHAT-R/F são validados a partir de cerca de 16 meses, portanto não servem para descartar TEA neste lactente.

Diante de preocupação clínica relevante, a conduta é encaminhar para avaliação especializada do neurodesenvolvimento e iniciar intervenção precoce nas áreas deficitárias, mantendo acompanhamento compartilhado com a atenção primária. A intervenção não precisa aguardar diagnóstico etiológico definitivo.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Estimulação precoce é correta, mas mantê-la apenas na rotina até 24 meses sem investigação especializada atrasaria a avaliação de um lactente com vários sinais de alerta.

B) Incorreta. Um teste de rastreamento não descarta diagnóstico e os instrumentos usuais para TEA não são validados para 6 meses. Sinais clínicos fortes justificam encaminhamento direto, sem transformar a triagem em barreira de acesso.

C) Incorreta. Há diversos sinais de alerta já presentes. Aguardar até 16 meses contraria o princípio de intervenção precoce e perde uma janela importante de plasticidade do neurodesenvolvimento.

D) Correta (gabarito). A atenção especializada deve avaliar TEA, atraso global do desenvolvimento e outros diagnósticos, planejar intervenção e trabalhar em conjunto com a equipe da atenção primária.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: M-CHAT não é exame para um bebê de 6 meses e não deve atrasar encaminhamento por sinais de alerta.

  • Rastreamento universal ocorre mais tarde; vigilância clínica começa desde as primeiras consultas.

  • Intervenção precoce trata déficits funcionais mesmo antes de um diagnóstico fechado.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “TDAH e transtornos do neurodesenvolvimento” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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