Vasculites e conectivopatias

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 86
INEP · 2023

Uma paciente com 35 anos faz tratamento em um ambulatório de referência em reumatologia devido a esclerose sistêmica, forma difusa. Faz uso regular de medicações como prednisona e metotrexato. Há 3 meses, ela apresenta dor torácica em queimação, retroesternal, associada à sensação de regurgitação, disfagia e episódios de tosse seca principalmente ao deitar.

O diagnóstico e a conduta para esse caso são, respectivamente,
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A esclerose sistêmica causa vasculopatia, atrofia e fibrose da musculatura lisa do trato digestivo. No esôfago, o padrão típico é peristalse fraca ou ausente nos dois terços distais associada a esfíncter esofágico inferior hipotônico. O resultado é dismotilidade esofágica com refluxo gastroesofágico, manifestada por pirose, regurgitação, disfagia e tosse ao deitar por refluxo ou microaspiração.

A manometria esofágica de alta resolução é o exame que caracteriza o distúrbio motor, quantificando contratilidade e pressão do esfíncter. Endoscopia é importante quando há disfagia para pesquisar esofagite, estenose, candidíase ou neoplasia. Monitorização de pH com impedanciometria é útil quando a relação dos sintomas com refluxo permanece duvidosa ou há sintomas persistentes apesar do tratamento.

O tratamento costuma incluir inibidor da bomba de prótons, medidas antirrefluxo e manejo de complicações. A disfagia não deve ser atribuída automaticamente à esclerodermia sem excluir obstrução estrutural, especialmente quando progressiva.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Pleurite causa dor ventilatório-dependente e pode produzir atrito pleural, mas não explica regurgitação, disfagia e piora ao deitar. Radiografia também não avalia motilidade esofágica.

B) Incorreta. Angina instável exige avaliação urgente quando suspeita, mas três meses de queimação associada a regurgitação e disfagia posicional formam uma síndrome esofágica. Cateterismo não é o exame inicial desse quadro.

C) Correta (gabarito). Esclerose sistêmica acomete frequentemente o esôfago, causando hipomotilidade distal e esfíncter inferior hipotônico. A manometria é o exame específico para documentar a dismotilidade.

D) Incorreta. Doença intersticial pulmonar é complicação importante e pode causar tosse seca e dispneia, mas não produz pirose, regurgitação e disfagia. Tomografia seria indicada se predominassem sintomas e alterações pulmonares.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: tosse ao deitar na esclerose sistêmica pode vir de refluxo e microaspiração, não apenas de pulmão intersticial.

  • Esôfago da esclerodermia: peristalse distal reduzida mais esfíncter inferior hipotônico.

  • Manometria mede motilidade; endoscopia procura lesão estrutural e mucosa.

  • Disfagia progressiva sempre exige exclusão de estenose ou outra obstrução.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Vasculites e conectivopatias” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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