Uma paciente com 35 anos faz tratamento em um ambulatório de referência em reumatologia devido a esclerose sistêmica, forma difusa. Faz uso regular de medicações como prednisona e metotrexato. Há 3 meses, ela apresenta dor torácica em queimação, retroesternal, associada à sensação de regurgitação, disfagia e episódios de tosse seca principalmente ao deitar.
Pegadinha central: tosse ao deitar na esclerose sistêmica pode vir de refluxo e microaspiração, não apenas de pulmão intersticial.
Esôfago da esclerodermia: peristalse distal reduzida mais esfíncter inferior hipotônico.
Manometria mede motilidade; endoscopia procura lesão estrutural e mucosa.
Disfagia progressiva sempre exige exclusão de estenose ou outra obstrução.
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Contexto
A esclerose sistêmica causa vasculopatia, atrofia e fibrose da musculatura lisa do trato digestivo. No esôfago, o padrão típico é peristalse fraca ou ausente nos dois terços distais associada a esfíncter esofágico inferior hipotônico. O resultado é dismotilidade esofágica com refluxo gastroesofágico, manifestada por pirose, regurgitação, disfagia e tosse ao deitar por refluxo ou microaspiração.
A manometria esofágica de alta resolução é o exame que caracteriza o distúrbio motor, quantificando contratilidade e pressão do esfíncter. Endoscopia é importante quando há disfagia para pesquisar esofagite, estenose, candidíase ou neoplasia. Monitorização de pH com impedanciometria é útil quando a relação dos sintomas com refluxo permanece duvidosa ou há sintomas persistentes apesar do tratamento.
O tratamento costuma incluir inibidor da bomba de prótons, medidas antirrefluxo e manejo de complicações. A disfagia não deve ser atribuída automaticamente à esclerodermia sem excluir obstrução estrutural, especialmente quando progressiva.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Pleurite causa dor ventilatório-dependente e pode produzir atrito pleural, mas não explica regurgitação, disfagia e piora ao deitar. Radiografia também não avalia motilidade esofágica.
B) Incorreta. Angina instável exige avaliação urgente quando suspeita, mas três meses de queimação associada a regurgitação e disfagia posicional formam uma síndrome esofágica. Cateterismo não é o exame inicial desse quadro.
C) Correta (gabarito). Esclerose sistêmica acomete frequentemente o esôfago, causando hipomotilidade distal e esfíncter inferior hipotônico. A manometria é o exame específico para documentar a dismotilidade.
D) Incorreta. Doença intersticial pulmonar é complicação importante e pode causar tosse seca e dispneia, mas não produz pirose, regurgitação e disfagia. Tomografia seria indicada se predominassem sintomas e alterações pulmonares.