Um homem de 52 anos é atendido em uma unidade básica de saúde de uma área periférica de um município de médio porte. Há 4 dias, vem apresentando quadro de febre, calafrios, dores musculares e náuseas. No dia anterior à consulta, apresentou melhora dos sintomas, porém, há 12 horas, refere recrudescimento da febre, que chegou a 39,5 °C, acompanhada por náuseas, vômitos, diarreia, icterícia e por dois episódios de epistaxe. A esposa refere que ele tem o hábito de alimentar macacos em uma mata perto da residência e que, nas últimas semanas, alguns haviam aparecido mortos. A vigilância epidemiológica havia divulgado informe de ocorrência de epizootia em primatas não humanos na região. O médico, diante disso, solicita a internação do paciente para investigação por suspeita de febre amarela.
Pegadinha central: epizootia confirma circulação do vírus, não confirma automaticamente o caso humano.
Notificação é imediata na suspeita.
Primeiros dias favorecem RT-PCR; após cerca de 7 dias, IgM por ELISA ganha rendimento.
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Contexto
O paciente apresenta fase tóxica de febre amarela: após melhora breve, ocorre recrudescimento com febre alta, vômitos, diarreia, icterícia e sangramento. A epizootia em primatas não humanos e o contato com área de mata indicam ciclo silvestre. Macacos não transmitem diretamente a doença; são sentinelas da circulação viral e também adoecem pela picada de mosquitos silvestres.
O Guia de Vigilância em Saúde, sexta edição de 2024, determina notificação compulsória imediata, em até 24 horas, de todo caso suspeito. Epizootia e quadro compatível aumentam a probabilidade, mas não confirmam o caso humano por vínculo epidemiológico isolado.
Na fase inicial, RT-PCR ou isolamento viral têm maior rendimento. A partir de aproximadamente 6 a 7 dias, pesquisa de IgM por ELISA torna-se útil. Vacinação recente pode produzir IgM e exige interpretação com data da vacina, evolução clínica e métodos adicionais. IgG isolada não confirma infecção aguda.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O caso ainda é suspeito. A presença de primatas mortos indica circulação viral, mas a confirmação humana exige critério laboratorial ou classificação oficial após investigação.
B) Correta (gabarito). Deve-se notificar imediatamente como suspeita de febre amarela silvestre e pesquisar IgM por ELISA na fase apropriada. Em não vacinado, o resultado tem interpretação mais direta, sem interferência de resposta vacinal recente.
C) Incorreta. O cenário é de ciclo silvestre, e o Brasil não registra transmissão urbana sustentada há décadas. IgG revela exposição passada ou vacinação e não confirma doença aguda.
D) Incorreta. Não é necessário esperar o décimo dia para iniciar sorologia, e o estado vacinal é essencial para interpretar IgM. Na fase precoce, deve-se considerar teste molecular.