Uma gestante primigesta de 18 anos, com idade gestacional de 35 semanas, comparece ao pronto-socorro do hospital após ser encaminhada pelo médico da unidade básica de saúde (UBS). A carta de encaminhamento solicita avaliação e conduta, devido ao aumento da pressão arterial da paciente e esclarece que ela estava fazendo pré-natal na UBS sem nenhuma intercorrência até o momento, sem comorbidades previas. A paciente refere estar ansiosa, com dor de cabeça intensa e afirma ganho de peso de 3 Kg na última semana. Relata boa movimentação fetal e nega perdas vaginais de líquido ou de sangue. Apresenta pressão arterial de 140 × 90 mmHg, frequência cardíaca de 90 batimentos por minuto e o restante do exame clínico está normal. A altura uterina é de 33 cm, os batimentos cardíacos fetais estão normais com boa variabilidade e constata-se dinâmica uterina ausente. A gestante, diante desse quadro, é medicada com analgésicos, mas permanece sem melhora importante e os níveis pressóricos se mantêm de 140 × 90 mmHg.
Pegadinha central: sinal de gravidade pode existir com pressão de 140 por 90 mmHg.
Cefaleia só conta como sinal de gravidade quando é nova, persistente, refratária e sem outra explicação.
Pré-eclâmpsia com gravidade a partir de 34 semanas indica parto após estabilização e sulfato de magnésio.
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Contexto
Hipertensão nova após 20 semanas é definida por pressão de pelo menos 140 por 90 mmHg em duas medidas adequadas. Pré-eclâmpsia pode ser diagnosticada com proteinúria ou com sinais de disfunção orgânica. Cefaleia intensa persistente, não responsiva a analgésico e sem explicação alternativa é sinal de gravidade neurológica.
O ganho de 3 kg em uma semana sugere retenção hídrica, mas edema e ganho ponderal não são critérios diagnósticos isolados. A paciente precisa de hemograma com plaquetas, creatinina, transaminases, avaliação de proteinúria, pesquisa de hemólise e monitorização fetal. Como está com 35 semanas, a recomendação da ACOG 2020 para pré-eclâmpsia com sinais de gravidade é interrupção após estabilização materna a partir de 34 semanas.
A estabilização inclui sulfato de magnésio para prevenção de eclâmpsia. Anti-hipertensivo de ação rápida é indicado se a pressão atingir faixa grave persistente, de pelo menos 160 por 110 mmHg. A pressão de 140 por 90 mmHg não exige redução aguda com metildopa, mas não neutraliza a gravidade da cefaleia.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Cefaleia persistente após analgésico é sinal de alarme e impede alta para a unidade básica antes de investigação e estabilização.
B) Correta (gabarito). A paciente precisa de exames urgentes, internação e preparação para interrupção da gestação após estabilização, pois tem 35 semanas e sinal neurológico de gravidade.
C) Incorreta. Metildopa é usada para controle crônico, não para resolver uma emergência obstétrica. Liberar para pré-natal de alto risco é inadequado diante de possível pré-eclâmpsia com gravidade.
D) Incorreta. Observação e exames são necessários, mas a alternativa omite que, confirmado o sinal de gravidade, a idade gestacional já indica interrupção. Não se deve manter conduta expectante apenas porque a pressão não está em faixa grave.