Durante uma visita domiciliar a um casal de idosos, o médico de família e comunidade aplica o Mini Exame do Estado Mental (MEEM) ao paciente de 82 anos de idade, que é advogado aposentado. Ele é hipertenso, em uso de enalapril 20 mg de 12 em 12 horas, e não possui outras comorbidades. A pontuação obtida pelo paciente no teste foi 25. A esposa, de 78 anos de idade, revela ao médico que tem se sentido bastante sobrecarregada com a manutenção da casa e com o cuidado com o marido, pois, há cerca de 6 meses, ele tem demonstrado dificuldades progressivas para realizar o pagamento de suas contas, para fazer compras e para utilizar o celular — práticas, até então, cotidianas. Apesar disso, ele mantém sua independência para o autocuidado, mantendo a higiene e a aparência preservadas, e demonstra motivação para realizar tarefas sugeridas.
Pegadinha central: perda de AIVD com ABVD preservadas indica declínio inicial; não é demência avançada.
Katz avalia banho, vestir-se, higiene, transferência, continência e alimentação; Lawton avalia tarefas complexas.
Cuidador também é alvo do plano de cuidado, e a Escala de Zarit é a associação mais cobrada.
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Contexto
O idoso perdeu capacidade para atividades instrumentais de vida diária, como pagar contas, fazer compras e usar o celular, mas preserva higiene, vestuário e outros autocuidados. Esse padrão sugere comprometimento cognitivo em fase inicial, e não demência avançada. O MEEM de 25 não encerra o diagnóstico: em uma pessoa com alta escolaridade, pode representar desempenho abaixo do esperado, mas deve ser interpretado com escolaridade, história funcional, avaliação clínica, humor, medicamentos e causas reversíveis.
A esposa verbaliza sobrecarga há meses. A avaliação multidimensional do idoso inclui também a saúde do cuidador, porque exaustão, depressão, isolamento e dificuldades práticas aumentam risco de cuidado inadequado e institucionalização. Um instrumento como a Escala de Sobrecarga de Zarit pode quantificar esse impacto. A entrevista sem o idoso facilita relato de irritação, culpa, conflitos e dificuldades que o cuidador pode omitir na presença dele.
Isso não substitui a investigação do paciente. Também devem ser aplicadas escalas de atividades instrumentais, como Lawton e Brody, avaliadas segurança financeira e medicamentosa e programado seguimento cognitivo.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Demência avançada costuma comprometer atividades básicas, comunicação, mobilidade ou continência. O autocuidado preservado e o declínio restrito às atividades instrumentais apontam fase inicial. Encaminhamento pode ser necessário, mas o rótulo de doença avançada está errado.
B) Correta (gabarito). A esposa descreve sobrecarga explícita, que precisa ser avaliada com instrumento próprio e acolhida em espaço reservado. Esse dado orienta apoio familiar, divisão de tarefas, assistência social e prevenção do adoecimento do cuidador.
C) Incorreta. Snellen mede acuidade visual. Não avalia autonomia, cognição nem desempenho funcional, embora visão deva integrar a avaliação global do idoso.
D) Incorreta. O índice de Katz avalia atividades básicas, já descritas como preservadas. A avaliação instrumental é necessária e deve ser feita com instrumento apropriado, mas a alternativa ignora o problema destacado pela esposa e não propõe avaliação específica da sobrecarga do cuidador.