Uma paciente com 40 anos, hipertensa, diabética e obesa mórbida, é atendida em uma unidade básica de saúde, queixando-se de dor em hipocôndrio direito, pós-prandial, há aproximadamente 24 horas. Relata início súbito, tipo cólica, constante, com piora progressiva e irradiação para dorso ipsilateral, associada a náuseas, vômitos e calafrios. Ao exame físico, notam-se: fácies de sofrimento, abdome globoso, flácido, depressível, sinal de Murphy presente, sinal de Blumberg ausente.
Pegadinha central: dor biliar que persiste por mais de 6 horas com Murphy positivo deixa de parecer cólica simples.
Ultrassonografia confirma, mas a suspeita clínica já determina encaminhamento urgente.
Diabetes e obesidade aumentam o risco de apresentações graves e complicações.
O tratamento definitivo preferencial é colecistectomia laparoscópica precoce quando a paciente tem condições.
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Contexto
Dor contínua no hipocôndrio direito por aproximadamente 24 horas, náuseas, vômitos, calafrios e sinal de Murphy positivo sugerem colecistite aguda. A obstrução persistente do ducto cístico por cálculo causa distensão, inflamação química e, em parte dos casos, infecção secundária. A cólica biliar simples costuma durar poucas horas, não produz resposta inflamatória sistêmica e melhora quando a obstrução cede.
Os Critérios de Tóquio de 2018 organizam o diagnóstico em sinais locais de inflamação, como Murphy e dor em hipocôndrio direito, sinais sistêmicos, como febre, leucocitose ou proteína C reativa elevada, e achados de imagem. A ultrassonografia é o exame inicial, procurando cálculos, espessamento da parede, distensão, líquido perivesicular e Murphy ultrassonográfico.
Na atenção primária, a prioridade não é concluir toda a investigação eletivamente, mas reconhecer um abdome agudo potencialmente infeccioso. A paciente tem diabetes, obesidade mórbida, calafrios e piora progressiva, fatores que aumentam risco de complicação. Deve ser encaminhada para serviço de urgência, onde receberá exames, hidratação, analgesia, antibiótico quando confirmado ou fortemente suspeito e avaliação para colecistectomia laparoscópica precoce.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). O quadro é compatível com colecistite aguda e exige avaliação hospitalar imediata para confirmação, estabilização, antimicrobiano e definição cirúrgica.
B) Incorreta. Ultrassonografia é apropriada, mas não de forma eletiva com espera de 48 horas em paciente com sintomas persistentes, calafrios e comorbidades de risco.
C) Incorreta. Antiespasmódico domiciliar poderia ser considerado em cólica biliar breve e sem sinais inflamatórios, mas não trata colecistite aguda nem previne gangrena ou perfuração.
D) Incorreta. Antibiótico oral isolado e reavaliação em 7 dias não oferecem controle adequado nem avaliação cirúrgica. Colecistite não complicada também costuma requerer tratamento hospitalar e abordagem precoce.