Uma criança de 1 ano e 3 meses é trazida pela mãe à unidade básica de saúde. A mãe refere que a criança vem apresentando febre há 48 horas, que varia entre 38,5 e 39 °C, associada à prostração, à inapetência, à sonolência e a um episódio de vômito na madrugada anterior. Ao exame físico, a criança se encontra em regular estado geral, corada, desidratada +/4+, acianótica, anictérica, eupneica e sonolenta. À otoscopia, nota-se opacificação da membrana timpânica à direita, que está abaulada, sem saída de secreção, associada a alteração da região retroauricular, apresentando hiperemia e dor. Restante do exame físico sem alterações. Por estar em período de epidemia de dengue, o médico de família e comunidade solicita a prova do laço, a qual não identifica nenhuma petéquia.
A pegadinha é deixar uma epidemia apagar o foco clínico. Otite mais dor e hiperemia retroauricular é mastoidite.
Mastoidite exige antibiótico intravenoso e avaliação especializada.
Prova do laço negativa não exclui dengue.
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Contexto
Membrana timpânica opaca e abaulada indica otite média aguda. Hiperemia e dor retroauriculares sugerem extensão para as células mastoideas, configurando mastoidite aguda, complicação potencialmente grave. A doença pode evoluir com abscesso subperiosteal, meningite, trombose de seio venoso e paralisia facial.
A conduta é internação, antibiótico intravenoso e avaliação otorrinolaringológica. Ceftriaxona é opção inicial da prova, com ajuste conforme gravidade, epidemiologia e cultura. A prova do laço negativa não exclui dengue; entretanto, o caso apresenta foco bacteriano otológico claro e não deve ter seu tratamento atrasado pela epidemia. A alternativa B deve ser entendida como priorização da mastoidite, e não como uso da prova do laço para descartar isoladamente dengue.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Notificação e sorologia não são a prioridade diante de foco bacteriano complicado. Além disso, a escolha do teste de dengue depende do dia de doença.
B) Correta (gabarito). Reconhece a necessidade de ceftriaxona intravenosa, analgesia e internação por mastoidite. A expressão descartar dengue não deve ser baseada apenas na prova do laço negativa.
C) Incorreta. Amoxicilina com clavulanato ambulatorial pode tratar otite não complicada em situações selecionadas, mas é insuficiente diante de sinais mastoideos e sonolência.
D) Incorreta. Apesar de priorizar o diagnóstico otológico, subtrata a complicação com terapia oral e reavaliação domiciliar.