Urgências endoscópicas

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 63
INEP · 2023

Um menino com 2 anos chega para atendimento no serviço de urgência com a mãe, que conta que ele ingeriu desinfetante há menos de uma hora. Ao exame, a criança apresenta-se consciente, irritada, chorosa, normotérmica, corada e hidratada, exalando um leve odor de desinfetante pela boca. Suas conjuntivas estão claras, as pupilas, isocóricas e fotorreativas; o ritmo cardíaco é regular em 2 tempos, sem sopros. Além disso, apresenta: perfusão periférica normal; frequência cardíaca de 120 batimentos por minuto; pressão arterial de 80 × 50 mmHg; frequência respiratória de 20 incursões por minuto, eupneica; murmúrio vesicular fisiológico sem ruídos adventícios.

A conduta inicial no atendimento dessa criança é
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O termo desinfetante abrange produtos com composições e concentrações diferentes. A primeira abordagem deve identificar o produto, quantidade, concentração, horário e presença de sintomas, além de avaliar via aérea, respiração e circulação. Nesta criança, não há sialorreia, disfagia, vômitos, dor retroesternal, estridor, dispneia, alteração de consciência ou instabilidade, o que permite avaliação da mucosa e observação clínica inicial.

Na suspeita de ingestão corrosiva, são contraindicados indução de vômito, lavagem gástrica e tentativas de neutralização. O vômito reexpõe faringe e esôfago; a neutralização ácido-base pode produzir reação exotérmica; a lavagem aumenta risco de perfuração e aspiração. Carvão ativado geralmente não adsorve adequadamente cáusticos e ainda dificulta a endoscopia. A orientação deve ser individualizada com um centro de informação toxicológica.

A banca pressupõe ingestão de pequena quantidade, criança assintomática e produto de baixo risco, situação em que se examina a boca e se observa por 2 a 4 horas. Mucosa oral normal não exclui lesão esofágica. Se surgirem sialorreia, recusa alimentar, vômitos persistentes, dor, hematêmese, estridor ou dificuldade respiratória, a criança deve ser internada e avaliada para endoscopia, geralmente nas primeiras 12 a 24 horas quando há indicação.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Agentes neutralizantes são proibidos, e diluição com leite ou água não deve ser feita rotineiramente sem orientação toxicológica específica. Além de não reverter lesão já produzida, pode provocar vômito ou aumentar o volume gástrico.

B) Incorreta. Lavagem gástrica reexpõe o trato digestivo e aumenta risco de aspiração e perfuração. Carvão ativado tem pouca utilidade para substâncias corrosivas e pode prejudicar a avaliação endoscópica.

C) Incorreta. Induzir vômito faz a substância passar novamente pelo esôfago e pela orofaringe, agravando a lesão e o risco de aspiração.

D) Correta (gabarito). Na criança estável, sem sintomas de lesão digestiva ou respiratória e após ingestão presumidamente pequena, a conduta inicial entre as opções é inspecionar a mucosa e observar clinicamente por 2 a 4 horas, com reavaliações e escalonamento se aparecerem sintomas.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: cáustico não se neutraliza, não se lava e não se faz vomitar.

  • Boca normal não garante esôfago normal; sintomas determinam a necessidade de investigação adicional.

  • Carvão ativado não é medida de rotina em ingestão corrosiva.

  • Sempre identifique o produto e contate o centro de toxicologia, porque desinfetantes não têm composição uniforme.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Urgências endoscópicas” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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