Uma paciente com 25 anos chega para consulta na unidade básica de saúde devido a quadro de disúria e polaciúria há 5 dias, que se agravou, tendo se iniciado hematúria nas últimas 24 horas. Ela relata que é a primeira vez que apresenta os sintomas descritos, que é sexualmente ativa, negando ter quaisquer outras queixas. O exame físico é normal, exceto por dor à palpação profunda em hipogástrio.
Pegadinha central: hematúria pode fazer parte da cistite e não obriga urocultura no primeiro episódio típico.
Disúria e polaciúria sem corrimento vaginal tornam cistite muito provável.
Febre, calafrios, vômitos e dor lombar apontam para pielonefrite e mudam investigação e tratamento.
Hematúria que não desaparece após tratar a infecção precisa ser investigada.
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Contexto
Disúria, polaciúria, dor suprapúbica e hematúria, sem febre, dor lombar, toxemia ou sintomas vaginais, compõem quadro típico de cistite aguda não complicada em mulher jovem. A Diretriz Europeia de Infecções Urológicas de 2026 reforça que a combinação de sintomas urinários baixos com ausência de corrimento vaginal permite diagnóstico clínico com alta probabilidade. Hematúria macroscópica pode ocorrer por inflamação vesical e não transforma, isoladamente, o episódio em pielonefrite.
Em primeiro episódio típico, pode-se iniciar antibiótico empírico conforme resistência local e características da paciente. Urocultura é priorizada em gestação, suspeita de pielonefrite, sintomas atípicos, falha terapêutica, recorrência precoce, risco de bactéria resistente ou anormalidade urológica. Persistência da hematúria após resolução da infecção exige investigação própria.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Urocultura não é obrigatória antes do tratamento de um primeiro episódio típico e não complicado. Seria indicada se houvesse gestação, febre, dor lombar, recorrência, falha ou fatores de complicação.
B) Correta (gabarito). O quadro clínico permite tratamento antibiótico empírico para cistite aguda não complicada, com escolha orientada por protocolos locais, alergias e resistência bacteriana.
C) Incorreta. Candidíase causa predominantemente prurido vulvar, eritema e corrimento grumoso, não síndrome urinária baixa isolada com dor suprapúbica.
D) Incorreta. Bacterioscopia vaginal é útil quando há corrimento, odor, prurido ou suspeita de vaginite e cervicite. A paciente nega queixas vaginais.