Um paciente com 65 anos apresenta quadro de disfagia a sólidos que evoluiu rapidamente para líquidos, acompanhado de tosse, rouquidão e perda ponderal de 20 kg nos últimos 90 dias. O paciente é tabagista (consumo de 1 a 2 maços de cigarro/dia) há 40 anos e etilista de bebida destilada há 30 anos. Realizada endoscopia digestiva alta, confirmou-se o diagnóstico de neoplasia de esôfago cervical. A traqueobroncoscopia demonstrou doença avançada, com paralisia das cordas vocais e invasão da árvore traqueobrônquica.
Pegadinha central: invasão traqueobrônquica transforma o caso em paliação, não em indicação de esofagectomia agressiva.
Disfagia que progride de sólidos para líquidos sugere obstrução mecânica crescente.
No tratamento paliativo, a via de alimentação deve ser escolhida junto com avaliação do risco de aspiração e da via aérea.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Disfagia progressiva de sólidos para líquidos, perda ponderal acelerada, tabagismo e etilismo compõem síndrome típica de câncer de esôfago avançado. No esôfago cervical, paralisia de cordas vocais e invasão da árvore traqueobrônquica indicam invasão de estruturas adjacentes, compatível com doença localmente irressecável. O objetivo deixa de ser ressecção curativa e passa a ser controle de sintomas, manutenção de nutrição, proteção da via aérea e qualidade de vida.
A gastrostomia cria acesso direto ao estômago para nutrição enteral e contorna a obstrução esofágica. Em invasão da via aérea, próteses esofágicas ou procedimentos de derivação precisam ser cuidadosamente selecionados pelo risco de fístula, aspiração e complicações. Entre as alternativas apresentadas, a gastrostomia é a opção paliativa de menor agressividade capaz de garantir alimentação, embora casos com aspiração importante possam exigir estratégia pós-pilórica individualizada.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Esofagectomia trans-hiatal é operação de grande porte e não oferece ressecção adequada para tumor cervical com invasão traqueobrônquica. A doença é localmente irressecável.
B) Incorreta. Tunelização cirúrgica ou bypass apresenta morbidade elevada e não é a melhor opção diante de invasão de via aérea e condição paliativa.
C) Incorreta. Esofagostomia cervical pode desviar saliva em situações selecionadas, mas não constitui, isoladamente, a via mais adequada para suporte nutricional deste paciente.
D) Correta (gabarito). A gastrostomia oferece acesso enteral para alimentação sem exigir ressecção do tumor avançado, atendendo ao principal objetivo paliativo imediato.