Um médico de família atende, em uma unidade básica de saúde, um homem de 66 anos, serralheiro, casado, que apresenta queixas de cefaleia e de dores no corpo, com febre de 38 °C e com edema em mãos e em pés há 2 dias. O paciente refere ter notado manchas vermelhas na pele, que começaram a apresentar prurido, no dia do atendimento. Após a anamnese e o exame físico, o médico estabelece a hipótese diagnóstica de febre de Chikungunya.
Pegadinha central: notifique a suspeita; não espere sorologia.
Na fase aguda, use hidratação e analgésicos e evite corticoide, AAS e anti-inflamatório até excluir dengue.
Óbito suspeito é notificação imediata; os demais casos seguem o fluxo compulsório do Sinan.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Febre de início agudo, edema de mãos e pés, exantema pruriginoso e artralgia ou dor musculoesquelética intensa compõem quadro compatível com chikungunya. O Guia de Manejo Clínico de Chikungunya do Ministério da Saúde, segunda edição de 2024, orienta tratamento de suporte na fase aguda, com hidratação, repouso e analgésicos.
Até excluir dengue, devem ser evitados ácido acetilsalicílico e anti-inflamatórios não esteroides pelo risco hemorrágico. Corticoide sistêmico não é indicado na fase aguda e pode agravar complicações. Aos 66 anos, o paciente pertence a grupo com maior risco de evolução desfavorável e precisa de avaliação clínica cuidadosa e seguimento mais próximo.
Todo caso suspeito deve ser notificado ao serviço de vigilância conforme o fluxo municipal, sem esperar sorologia. A notificação rotineira de casos é compulsória; óbitos suspeitos por chikungunya têm notificação imediata em até 24 horas. Confirmação laboratorial depende do tempo de doença e do cenário epidemiológico: métodos moleculares são mais úteis no início, e sorologia após formação de anticorpos.
A equipe deve articular investigação epidemiológica, busca de casos quando indicada, eliminação de criadouros e controle vetorial. Pulverização de inseticida não substitui manejo ambiental e só deve ocorrer conforme avaliação da vigilância.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Não se espera confirmação sorológica para notificar, e o paciente não apresenta critério automático de internação. Folhetos e inseticida isolados não substituem ações integradas de vigilância e controle do vetor.
B) Incorreta. Corticoide oral é inadequado na fase aguda, e a notificação deve ocorrer na suspeita, não somente após confirmação laboratorial.
C) Correta (gabarito). Analgesia segura, repouso, hidratação, notificação do caso suspeito, investigação conforme indicação e ações de vigilância e controle vetorial compõem o manejo adequado na atenção primária.
D) Incorreta. Casos não complicados podem ser manejados na atenção primária com seguimento. O próprio serviço que identifica a suspeita deve notificar, sem transferir essa responsabilidade ao centro de referência.