Vigilância epidemiológica

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 60
INEP · 2023

Um médico de família atende, em uma unidade básica de saúde, um homem de 66 anos, serralheiro, casado, que apresenta queixas de cefaleia e de dores no corpo, com febre de 38 °C e com edema em mãos e em pés há 2 dias. O paciente refere ter notado manchas vermelhas na pele, que começaram a apresentar prurido, no dia do atendimento. Após a anamnese e o exame físico, o médico estabelece a hipótese diagnóstica de febre de Chikungunya.

Diante dessa situação, o médico e a equipe de saúde devem realizar
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Febre de início agudo, edema de mãos e pés, exantema pruriginoso e artralgia ou dor musculoesquelética intensa compõem quadro compatível com chikungunya. O Guia de Manejo Clínico de Chikungunya do Ministério da Saúde, segunda edição de 2024, orienta tratamento de suporte na fase aguda, com hidratação, repouso e analgésicos.

Até excluir dengue, devem ser evitados ácido acetilsalicílico e anti-inflamatórios não esteroides pelo risco hemorrágico. Corticoide sistêmico não é indicado na fase aguda e pode agravar complicações. Aos 66 anos, o paciente pertence a grupo com maior risco de evolução desfavorável e precisa de avaliação clínica cuidadosa e seguimento mais próximo.

Todo caso suspeito deve ser notificado ao serviço de vigilância conforme o fluxo municipal, sem esperar sorologia. A notificação rotineira de casos é compulsória; óbitos suspeitos por chikungunya têm notificação imediata em até 24 horas. Confirmação laboratorial depende do tempo de doença e do cenário epidemiológico: métodos moleculares são mais úteis no início, e sorologia após formação de anticorpos.

A equipe deve articular investigação epidemiológica, busca de casos quando indicada, eliminação de criadouros e controle vetorial. Pulverização de inseticida não substitui manejo ambiental e só deve ocorrer conforme avaliação da vigilância.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Não se espera confirmação sorológica para notificar, e o paciente não apresenta critério automático de internação. Folhetos e inseticida isolados não substituem ações integradas de vigilância e controle do vetor.

B) Incorreta. Corticoide oral é inadequado na fase aguda, e a notificação deve ocorrer na suspeita, não somente após confirmação laboratorial.

C) Correta (gabarito). Analgesia segura, repouso, hidratação, notificação do caso suspeito, investigação conforme indicação e ações de vigilância e controle vetorial compõem o manejo adequado na atenção primária.

D) Incorreta. Casos não complicados podem ser manejados na atenção primária com seguimento. O próprio serviço que identifica a suspeita deve notificar, sem transferir essa responsabilidade ao centro de referência.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: notifique a suspeita; não espere sorologia.

  • Na fase aguda, use hidratação e analgésicos e evite corticoide, AAS e anti-inflamatório até excluir dengue.

  • Óbito suspeito é notificação imediata; os demais casos seguem o fluxo compulsório do Sinan.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Vigilância epidemiológica” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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