Abdome agudo ginecológico

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Questão 39
INEP · 2023

Uma mulher de 25 anos vai à emergência referindo sentir dor em fossa ilíaca esquerda (FIE) há 6 horas. Nega febre, alteração do hábito intestinal ou urinário. Sua última menstruação foi há 15 dias e faz uso de dispositivo intrauterino de cobre há 2 anos. Relata ter ciclos menstruais mensais, parceiro único e ausência de leucorreia. Ao exame físico, apresenta pressão arterial de 120 × 80 mmHg, frequência cardíaca de 90 batimentos por minuto, temperatura axilar de 36,8 °C, dor à palpação superficial e profunda do abdome em FIE com sinais de irritação peritoneal. São realizados teste de gravidez, com resultado negativo, e ultrassonografia transvaginal, a qual evidenciou cisto heterogêneo em ovário esquerdo, de 4 cm, com vascularização periférica ao Doppler, com mínima quantidade de líquido livre em fundo de saco de Douglas.

Nessa situação, a conduta terapêutica adequada consiste em realizar
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A dor iniciou no meio do ciclo, o teste de gravidez é negativo e a ultrassonografia mostra cisto ovariano heterogêneo de 4 cm com vascularização periférica e pequena quantidade de líquido livre. O padrão é compatível com corpo lúteo ou cisto hemorrágico roto. O sangue no peritônio pode produzir irritação peritoneal mesmo em paciente estável.

A conduta depende de estabilidade hemodinâmica, queda de hemoglobina, volume do hemoperitônio, intensidade e progressão da dor e dúvida diagnóstica. Nesta paciente, pressão e frequência cardíaca estão estáveis, há pouco líquido livre e não há febre. Analgesia, observação, hemograma seriado e reavaliação clínica são apropriados.

A vascularização periférica, chamada por vezes de anel de fogo, é frequente no corpo lúteo. Fluxo preservado ao Doppler não exclui torção ovariana, pois o ovário possui suprimento arterial duplo. Aqui, a ausência de aumento ovariano descrito, o cisto pequeno e o conjunto ultrassonográfico tornam ruptura hemorrágica mais provável, mas piora da dor ou sinais típicos exigiriam reavaliação cirúrgica.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Laparotomia é reservada a instabilidade, hemorragia importante, impossibilidade de abordagem minimamente invasiva ou outra emergência abdominal. Não é proporcional a uma paciente estável com pouco líquido livre.

B) Incorreta. Laparoscopia com preservação ovariana pode ser necessária em sangramento persistente, dúvida diagnóstica ou torção. O caso permite manejo conservador inicial, sem indicação imediata de operar o cisto.

C) Correta (gabarito). Analgesia e observação hospitalar permitem acompanhar dor, sinais vitais e hemoglobina, reservando cirurgia para deterioração, hemoperitônio progressivo ou diagnóstico alternativo.

D) Incorreta. Ooforectomia é excessiva em mulher jovem com provável lesão funcional benigna. Mesmo na torção, a conduta atual prioriza destorção e preservação ovariana sempre que possível.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: fluxo ao Doppler não exclui torção; neste caso, ele ajuda a reconhecer corpo lúteo, mas a estabilidade é que sustenta observação.

  • Cisto hemorrágico roto com pouco líquido e sinais vitais estáveis costuma ser tratado conservadoramente.

  • Operar se houver instabilidade, queda progressiva de hemoglobina, dor refratária, hemoperitônio crescente ou forte suspeita de torção.

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Bia
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