Um homem com 38 anos relata, em consulta, exantema, prurido, febre e artralgia que se resolveu em 72 horas com o uso de sintomáticos. O paciente conta que, após 10 dias, passou a apresentar parestesia em membros inferiores, que evoluiu para membros superiores em 24 horas. Ele conta que não buscou ajuda médica por julgar tratar-se de câimbras devido à falta de atividade física regular. Narra, ainda, que, após 3 dias, o quadro evoluiu com fraqueza nos membros inferiores, impedindo a deambulação, queixando-se também de cefaleia holocraniana e obstipação intestinal. Ao exame neurológico, apresenta-se vigil, orientado em tempo e espaço, com pupilas isocóricas e fotorreagentes, mobilidade ocular extrínseca preservada e demais pares cranianos sem alteração. Verificam-se, ainda: força muscular grau V/V em membros superiores e grau III/V em membros inferiores; reflexos bicipital, tricipital e estilorradial grau II/IV; reflexos patelar e aquileu abolidos; hipoestesia tátil e dolorosa nos quatro membros, com padrão de bota e luva; hipopalestesia em membros inferiores, até o tornozelo. O resultado do exame de líquido cefalorraquidiano (LCR) mostrou:

Proteína alta com poucas células no LCR é dissociação albuminocitológica.
Fraqueza ascendente mais arreflexia após infecção é Guillain-Barré até prova em contrário.
Monitore respiração e disautonomia mesmo quando os pares cranianos ainda estão normais.
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Contexto
Fraqueza progressiva predominante nos membros inferiores, parestesias ascendentes e abolição dos reflexos patelar e aquileu após síndrome infecciosa formam o padrão clássico da síndrome de Guillain-Barré, uma polirradiculoneuropatia imunomediada aguda. Anticorpos gerados contra agentes infecciosos reagem com componentes dos nervos periféricos por mimetismo molecular, produzindo desmielinização ou lesão axonal.
A imagem do líquido cefalorraquidiano mostra 0 a 2 células por mm³ e proteína de 103 mg/dL, com glicose preservada. Essa combinação é a dissociação albuminocitológica: proteína elevada com celularidade normal ou muito baixa. A Diretriz EAN/PNS de 2023 considera esse achado de suporte, mas ele pode estar ausente na primeira semana e não é exclusivo da doença. Pleocitose importante deve levar à investigação de infecção, neoplasia ou outra polirradiculopatia.
O diagnóstico é clínico e apoiado pela eletroneuromiografia. Todo paciente incapaz de caminhar sem auxílio precisa de internação, monitorização da capacidade vital forçada, deglutição, ritmo cardíaco e pressão arterial. Imunoglobulina intravenosa e plasmaférese têm eficácia semelhante quando iniciadas oportunamente; corticoide isolado não é eficaz.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Miastenia gravis causa fraqueza flutuante e fatigável, principalmente ocular e bulbar, sem perda sensitiva ou arreflexia.
B) Correta (gabarito). A progressão ascendente pós-infecciosa, a arreflexia e a dissociação albuminocitológica caracterizam síndrome de Guillain-Barré.
C) Incorreta. Acidente vascular cerebral tem início súbito e déficit focal, geralmente com sinais de neurônio motor superior, não polineuropatia simétrica progressiva.
D) Incorreta. Esclerose lateral amiotrófica combina sinais de neurônio motor superior e inferior, evolui cronicamente e preserva a sensibilidade.