Um recém-nascido, com peso de nascimento de 2.900 g, nascido a termo e de parto vaginal, é levado à primeira consulta pós-natal na unidade básica de saúde com 10 dias de vida. Durante a consulta, observa-se abundante quantidade de secreção purulenta em ambos os olhos da criança e, segundo a mãe, essa secreção teve início há 2 dias, formando-se rapidamente, mesmo após a limpeza. O paciente apresenta, também, hiperemia ocular e edema bipalpebral. Sabe-se que a mãe iniciou tardiamente o pré-natal e fez acompanhamento irregular, e ela refere que, atualmente, está apresentando leucorreia purulenta. O médico, então, solicita swab da secreção, cujo resultado chegará em até 5 dias.
Pus abundante no olho do recém-nascido é gonococo até prova em contrário e exige ceftriaxona sistêmica imediata.
Colírio sozinho nunca é suficiente.
Não espere cultura quando há risco de perfuração corneana.
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Contexto
Questão anulada. Secreção purulenta muito abundante, rápida reacumulação, hiperemia intensa e edema palpebral em recém-nascido, associados a pré-natal irregular e corrimento purulento materno, são altamente sugestivos de oftalmia neonatal gonocócica. A infecção por Neisseria gonorrhoeae pode ulcerar e perfurar a córnea em poucas horas, portanto não se deve aguardar o resultado do swab.
As Diretrizes de Infecções Sexualmente Transmissíveis do CDC de 2021 recomendam ceftriaxona sistêmica em dose única de 25 a 50 mg/kg por via intravenosa ou intramuscular, com máximo de 250 mg. Em neonatos com hiperbilirrubinemia, prematuridade relevante ou uso simultâneo de cálcio intravenoso, considera-se cefotaxima. Irrigação ocular com solução fisiológica pode ser necessária para retirar secreção.
O ponto que torna a alternativa D tecnicamente imperfeita é que antibiótico tópico isolado é inadequado e, quando o tratamento sistêmico correto foi administrado, o tópico é considerado desnecessário. O recém-nascido também precisa de avaliação hospitalar, investigação de infecção disseminada e abordagem diagnóstica e terapêutica da mãe e de seus parceiros.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O diagnóstico sugerido está correto, mas aguardar cultura e usar apenas colírio expõe a criança a ulceração corneana e cegueira.
B) Incorreta. O quadro não é uma conjuntivite bacteriana comum. Colírio isolado não trata infecção gonocócica neonatal.
C) Incorreta. Aguardar cinco dias para definir tratamento é perigoso diante da possibilidade de gonococo.
D) Incorreta. É a alternativa mais próxima, pois inclui ceftriaxona imediata e reconhece o risco visual, mas acrescenta colírio como parte necessária do esquema e não descreve a avaliação sistêmica, razão pela qual não deve ser validada como gabarito em questão anulada.