Uma primigesta de 28 anos, com idade gestacional de 25 semanas e 4 dias, foi atendida por uma equipe de saúde da família fluvial. Na avaliação, ela se queixou de tosse há 5 dias, associada a anosmia, febre de 38,2 °C e dispneia. Segundo familiares, ela recebeu apenas a primeira dose da vacina contra Covid-19. O quadro clínico dessa paciente evolui com insuficiência respiratória aguda e óbito. Diante disso, é realizado parto cesáreo de urgência e a criança nasce com 450g e 20 cm, apresentando batimentos cardíacos e movimentos respiratórios por 10 segundos, sendo constatado óbito do bebê após esse período. A paciente havia realizado apenas uma consulta de pré-natal, assim que descobriu a gestação, não tendo sido identificadas alterações nos exames realizados à época.
A pegadinha é usar peso ou viabilidade. Qualquer sinal de vida transforma o produto da concepção em nascido vivo.
Óbito antes de 7 dias completos é neonatal precoce.
Doença não obstétrica agravada pela gravidez pode causar morte materna indireta.
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Contexto
Morte materna é o óbito durante a gestação ou até 42 dias após seu término por causa relacionada ou agravada pela gravidez ou por seu manejo, excluídas causas acidentais ou incidentais. Insuficiência respiratória por Covid-19 durante a gestação pode ser classificada como morte materna obstétrica indireta porque a condição infecciosa foi agravada pelo estado gestacional.
Nascido vivo é todo produto da concepção que, após a expulsão ou extração completa, apresenta qualquer sinal de vida, como respiração, batimento cardíaco, pulsação do cordão ou movimento voluntário, independentemente de idade gestacional, peso ou duração da vida. Como a criança respirou e apresentou batimentos por 10 segundos, entra no número de nascidos vivos e, ao morrer antes de completar 7 dias, no óbito neonatal precoce, componente da mortalidade infantil.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Acerta a classificação da criança, mas erra ao excluir o óbito da gestante da mortalidade materna.
B) Incorreta. A morte materna é contabilizada, porém a criança não foi óbito fetal: apresentou sinais de vida e deve entrar na natalidade.
C) Incorreta. Exclui indevidamente tanto a morte materna quanto o nascimento vivo do cálculo de natalidade.
D) Correta (gabarito). A gestante contribui para a mortalidade materna, e a criança é um nascido vivo que morreu no período neonatal precoce, integrando natalidade e mortalidade infantil.