Hemoterapia e reações transfusionais

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 28
INEP · 2024

Um escolar de 9 anos, portador de anemia falciforme, politransfundido, encontra-se internado há 3 dias devido a uma crise álgica. Evoluiu com melhora da dor e estava afebril e estável clinicamente. Em hemograma, obteve-se hemoglobina de 5,8 g/dL e hematócrito de 16,5%. Iniciou-se transfusão de concentrado de hemácias desleucocitadas e fenotipadas. Quase ao término da transfusão, o menino passa a apresentar febre de 38,4 °C, calafrios, dor no local do acesso e nos flancos e epistaxe, mantendo-se com estabilidade hemodinâmica, acianótico, anictérico e sem outras alterações ao exame físico. A radiografia de tórax está sem alterações.

Nesse caso, o que provavelmente está acontecendo é uma
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Reação febril não hemolítica é definida por febre durante ou até poucas horas após transfusão, em geral aumento de pelo menos 1 °C e temperatura de pelo menos 38 °C, com ou sem calafrios, depois de excluídas hemólise, contaminação bacteriana e outras causas. Ela resulta principalmente de citocinas acumuladas no componente ou de anticorpos do receptor contra leucócitos. A desleucocitação reduz sua frequência, mas não a elimina.

O menino desenvolve febre e calafrios quase ao fim da transfusão, permanece hemodinamicamente estável, não apresenta dispneia, hipoxemia, infiltrado pulmonar, icterícia ou hemoglobinúria descrita. Esse conjunto favorece reação febril não hemolítica. Contudo, dor em flancos e epistaxe são sinais que exigem cautela, pois podem ocorrer em reação hemolítica aguda ou coagulopatia. Na prática, toda reação suspeita exige interrupção imediata da transfusão, manutenção do acesso com solução salina, conferência de identificação, comunicação ao banco de sangue e investigação antes de concluir que é benigna.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Sobrecarga circulatória transfusional cursa com taquipneia, hipóxia, hipertensão, estertores, edema pulmonar e sinais de hipervolemia. Radiografia normal e ausência de sintomas respiratórios afastam esse padrão.

B) Incorreta. TRALI exige insuficiência respiratória aguda com hipoxemia e opacidades pulmonares bilaterais, ausentes no caso.

C) Correta (gabarito). Febre e calafrios com estabilidade e sem comprometimento pulmonar ou evidência clínica dominante de hemólise tornam a reação febril não hemolítica a hipótese mais provável, desde que diagnósticos graves sejam excluídos.

D) Incorreta. Dor em flancos obriga investigação, mas faltam hipotensão, hemoglobinúria, icterícia, instabilidade e outros marcadores de hemólise intravascular. O diagnóstico não pode ser feito apenas pela dor.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: reação febril não hemolítica é diagnóstico de exclusão; primeiro pare a transfusão e afaste hemólise e contaminação.

  • Radiografia normal e ausência de hipoxemia afastam TRALI e TACO.

  • Desleucocitação diminui, mas não zera, a reação febril não hemolítica.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Hemoterapia e reações transfusionais” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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