Um homem de 45 anos, trabalhador da construção civil há 25 anos, é atendido na unidade básica de saúde com queixas de dispneia progressiva, tosse sem expectoração e fadiga. Ele nega comorbidades ou tabagismo e não se notam alterações neurológicas ou psiquiátricas durante a realização da anamnese e do exame físico. É realizada radiografia de tórax, a qual revela opacidades reticulares e placas pleurais calcificadas bilaterais na parede do tórax e no diafragma. Na investigação subsequente, é solicitada tomografia de alta resolução do tórax, cujo resultado indica a presença de fibrose difusa de parênquima pulmonar, sem alterações nodulares ou cavitações.
Pegadinha central: placa pleural indica exposição; fibrose parenquimatosa é o que permite chamar de asbestose.
Placas bilaterais no diafragma são uma pista radiológica de alto rendimento para amianto.
Amianto também aumenta risco de mesotelioma e câncer de pulmão, e o tabagismo potencializa especialmente o risco de carcinoma pulmonar.
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Contexto
A asbestose é fibrose intersticial pulmonar causada por inalação cumulativa de fibras de amianto, geralmente após latência de décadas. Trabalhadores da construção civil podem ter contato com telhas, caixas d'água, isolamento térmico, revestimentos e materiais antigos que contêm asbestos. O quadro típico é dispneia progressiva, tosse seca, padrão restritivo e fibrose de predomínio basal e subpleural.
As placas pleurais bilaterais, especialmente quando calcificadas e localizadas na parede torácica e no diafragma, são marcadores muito característicos de exposição ao amianto. Elas não são, por si só, asbestose parenquimatosa; o diagnóstico de asbestose exige fibrose pulmonar compatível e história de exposição. Neste caso, a tomografia mostra ambas as peças: placas pleurais e fibrose difusa.
A ausência de tabagismo enfraquece DPOC, e a tomografia não descreve enfisema. A ausência de nódulos e cavitações, além das placas pleurais, afasta o padrão esperado de infecção fúngica crônica.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Exposição ocupacional prolongada, placas pleurais calcificadas diafragmáticas e fibrose intersticial constituem o conjunto clássico de doença pulmonar relacionada ao amianto com asbestose.
B) Incorreta. Paracoccidioidomicose crônica pode causar fibrose, mas costuma apresentar opacidades mistas, nódulos, cavidades, adenopatia e manifestações mucosas ou adrenais. Placas pleurais calcificadas diafragmáticas não são sua assinatura.
C) Incorreta. Intoxicação por chumbo causa anemia, dor abdominal, neuropatia, nefropatia e alterações neuropsiquiátricas, não fibrose intersticial com placas pleurais.
D) Incorreta. DPOC é síndrome obstrutiva, mais frequentemente ligada a tabagismo ou biomassa, e a imagem esperada é enfisema ou espessamento brônquico, não placas pleurais calcificadas.