Em uma reunião de equipe de saúde da família, os profissionais discutem as dificuldades de organização do atendimento no modelo de agendamento adotado pela secretaria municipal da saúde. Nesse modelo, no início do período, todas as vagas estão preenchidas com consultas pré-agendadas e os casos eventuais e urgentes são inseridos em agendamento duplo. Isso tem causado atrasos no fechamento da unidade no fim da tarde, pois o médico precisa encaixar os pacientes não agendados previamente em algum horário durante o dia. A equipe se queixa do estresse no acolhimento dos pacientes, e que são expostos a muitas reclamações na sala de espera. Também é apontado o número excessivo de faltas entre os agendados. A equipe, então, decide mudar o sistema de agendamento, reservando 40% das vagas para consultas de urgência, devido à alta demanda desse tipo de atendimento na comunidade, e 60% para consultas pré-agendadas. Dessa forma, pretende-se oferecer cuidado estruturado tanto para os pacientes com condições crônicas como para aqueles com condições agudas.
A pegadinha é o percentual fixo. Separou vagas por tipo de demanda, virou carve-out.
Risco do carve-out: ociosidade de um bloco e excesso de procura no outro.
Acesso avançado não é sinônimo de agenda de urgência; busca equilibrar demanda diária e capacidade da equipe.
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Contexto
No modelo tradicional, a agenda é preenchida antecipadamente e demandas agudas entram como encaixes ou consultas duplas. Isso gera espera, atrasos, sobrecarga e alta taxa de faltas. Ao reservar previamente uma fração fixa das vagas para determinado tipo de demanda, a equipe passa ao modelo carve-out.
No caso, 40% das vagas foram separadas para urgências e 60% para consultas programadas. O problema central é prever corretamente a procura. Se a demanda aguda for menor que a reserva, vagas ficam ociosas; se for maior, reaparecem encaixes e atrasos. Isso difere do acesso avançado, cujo princípio é realizar hoje o trabalho de hoje, equilibrando oferta e demanda sem manter blocos rígidos por categoria.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A equipe migrou do modelo tradicional para o carve-out, e o dimensionamento incorreto pode deixar vagas reservadas sem uso ou insuficientes para a demanda real.
B) Incorreta. O ponto de partida descrito é o modelo tradicional, e a proposta não constitui acesso aberto ou avançado.
C) Incorreta. Educação permanente e compromisso da equipe são importantes no acesso avançado, mas a reserva fixa de 40% caracteriza carve-out.
D) Incorreta. A equipe não partiu de carve-out e não adotou acesso avançado. Longitudinalidade não é necessariamente perdida quando o acesso avançado é bem implantado.