Uma jovem de 19 anos procura a emergência da maternidade com dor importante no baixo ventre e com discreto sangramento. À triagem, apresenta-se muito abalada, relata ter sofrido violência sexual durante um assalto, há 4 horas, e que o agressor não usou preservativo quando a penetrou. Relata que, ao chegar em casa e contar o ocorrido, sua mãe preferiu levá-la para atendimento médico antes de procurar a delegacia da mulher. Informa nunca ter engravidado, ter ciclos menstruais regulares, ter iniciado vida sexual aos 17 anos, com o ex-namorado, e que, atualmente, está sem relações sexuais há 5 meses.
A pegadinha é impor barreira burocrática. Atendimento, contracepção e PEP não dependem de boletim de ocorrência.
Levonorgestrel: 1,5 mg em dose única, quanto mais cedo melhor.
PEP para HIV deve começar até 72 horas e durar 28 dias quando indicada.
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Contexto
Violência sexual com penetração vaginal sem preservativo há 4 horas exige cuidado imediato, acolhedor e sem condicionamento a boletim de ocorrência, exame pericial ou autorização policial. A contracepção de emergência deve ser oferecida o quanto antes. O levonorgestrel é usado em dose única de 1,5 mg e pode ser administrado mesmo sem teste de gravidez prévio quando isso atrasaria o atendimento, pois não interrompe gestação já implantada.
O PCDT de Profilaxia Pós-Exposição do Ministério da Saúde orienta avaliação e profilaxia para HIV, hepatite B e IST bacterianas conforme tipo de exposição, vacinação da paciente e informações disponíveis. A profilaxia para HIV deve começar preferencialmente nas primeiras horas, até o limite de 72 horas, e ser mantida por 28 dias. Como o agressor é desconhecido, a ausência de resultado sorológico dele não deve atrasar a conduta.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Levonorgestrel em dose única e profilaxias indicadas devem ser ofertados imediatamente, sem depender do status sorológico do agressor ou de providência policial prévia.
B) Incorreta. Anticoncepcional injetável mensal não funciona como contracepção de emergência. Testes negativos da vítima também não eliminam a necessidade de profilaxia para exposições ocorridas horas antes.
C) Incorreta. Teste de gravidez pode ser realizado, mas não deve atrasar o levonorgestrel. Além disso, a profilaxia não se limita às infecções virais.
D) Incorreta. O atendimento em saúde não depende de delegacia ou laudo pericial, e injetável mensal não é método de emergência.