Durante um exame admissional para motorista, um paciente é questionado sobre o uso de álcool e responde, abertamente, que se sente culpado pelo uso diário de 3 cervejas. Relata haver tentado reduzir esse consumo, sem sucesso. Nega uso de álcool pela manhã. Não relatou sentir-se aborrecido pelo que familiares, ou outras pessoas próximas a ele, possam pensar sobre seu consumo frequente de bebida alcoólica. No questionário AUDIT, esse paciente teve escore 22 de 40 pontos.
Pegadinha central: AUDIT de 20 ou mais sugere provável dependência, não simples consumo de risco.
Naltrexona e acamprosato são fármacos de manutenção; benzodiazepínico é para abstinência.
Em motorista, avalie risco ocupacional, sedação, direção e necessidade de afastamento conforme segurança e legislação aplicável.
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Contexto
O AUDIT varia de 0 a 40 pontos. Escore de 22 situa o paciente na faixa mais alta, compatível com provável transtorno por uso de álcool ou dependência e necessidade de avaliação diagnóstica, intervenção estruturada e possível tratamento farmacológico. O relato de tentativa frustrada de reduzir e culpa também produz duas respostas positivas no CAGE, reforçando perda de controle e dano percebido.
O mhGAP da OMS de 2023 reconhece naltrexona e acamprosato como opções para prevenção de recaída no transtorno por uso de álcool. A naltrexona reduz recompensa e consumo pesado, mas deve ser evitada em uso atual de opioides e avaliada em hepatopatia relevante. O acamprosato favorece abstinência, exige ajuste ou contraindicação na insuficiência renal e é tomado em doses divididas. A escolha depende do objetivo, comorbidades e preferência do paciente.
Benzodiazepínicos tratam síndrome de abstinência aguda, por período curto e sob monitorização. Não são fármacos de manutenção, especialmente em motorista, por sedação, prejuízo psicomotor e potencial de dependência. Orientação sobre direção sob efeito de álcool é obrigatória, mas não substitui tratamento.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. AUDIT 22 não é rastreamento negativo e não se resolve apenas com um limite semanal. O quadro exige avaliação de gravidade e plano terapêutico.
B) Correta (gabarito). O rastreamento é positivo, a atividade profissional aumenta o risco coletivo e naltrexona ou acamprosato são opções de manutenção baseadas em evidência, após avaliação clínica.
C) Incorreta. Dissulfiram pode ser usado em pacientes selecionados, motivados e supervisionados, mas não é opção universal. Benzodiazepínicos são reservados à abstinência aguda e não devem compor manutenção.
D) Incorreta. O consumo é excessivo, mas o principal erro é chamar o rastreamento de negativo diante de AUDIT 22.