Um paciente de 27 anos, com história de cirurgia cardíaca bem-sucedida para correção de comunicação interventricular há 10anos, procura uma unidade de pronto-atendimento referindo palpitações de início súbito há 3 horas. Conta que foi a uma festa no dia anterior e que ingeriu bebida alcoólica em grande quantidade, vomitando durante a madrugada. Acordou com cefaleia e sede. O paciente está pálido, desidratado (1+/4+), taquipneico e apresenta cicatriz de esternotomia mediana. Apresenta pressão sistólica de 70 mmHg, a frequência cardíaca, conforme visto no monitor, está oscilando e a frequência cardíaca média está em 170 batimentos por minuto. A ausculta cardíaca revela um ritmo irregularmente irregular, com variação de intensidade da primeira bulha entre os batimentos.

Taquiarritmia com hipotensão é eletricidade, não espera por remédio.
Cardioversão tem sincronismo; desfibrilação não tem.
Álcool em excesso pode precipitar fibrilação atrial em jovem.
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Contexto
Ritmo irregularmente irregular, variação de intensidade de B1 e frequência ventricular elevada indicam fibrilação atrial com resposta ventricular rápida, possivelmente precipitada por consumo excessivo de álcool, desidratação e distúrbios eletrolíticos, quadro conhecido como síndrome do coração de feriado.
A imagem do monitor reforça a gravidade: frequência de 161 bpm e pressão de 67 por 0 mmHg, com pressão média de 22 mmHg. Hipotensão e sinais de choque associados à taquiarritmia configuram instabilidade hemodinâmica. O algoritmo da American Heart Association de 2025 indica cardioversão elétrica sincronizada imediata, com sedação breve se for possível sem retardar o choque.
Para fibrilação atrial, o algoritmo de 2025 recomenda energia bifásica inicial de 200 J. O choque deve ser sincronizado com o QRS para evitar descarga sobre a onda T. Após estabilização, investigam-se eletrólitos, função renal, lesão miocárdica, duração da arritmia e necessidade de anticoagulação.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A hipotensão extrema torna a fibrilação atrial instável e exige cardioversão sincronizada sem aguardar efeito de medicamentos.
B) Incorreta. Cristaloide pode corrigir desidratação como medida adjuvante, mas não resolve rapidamente a taquiarritmia que está produzindo choque.
C) Incorreta. Metoprolol intravenoso pode agravar hipotensão e não deve atrasar cardioversão em paciente instável.
D) Incorreta. Amiodarona pode ser usada em contextos selecionados, mas sua ação é mais lenta e não substitui a cardioversão imediata diante de choque.