Acalásia e distúrbios motores do esôfago

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 21
INEP · 2024

Um homem de 65 anos, natural da Bahia, procedente da zona rural, é encaminhado ao ambulatório de gastroenterologia de um hospital escola devido a quadro de disfagia progressiva desenvolvido há 1 ano. O quadro piorou há 2 meses. O paciente passou a apresentar vômitos frequentes com restos alimentares, sem sangue. Nesse período, ele perdeu cerca de 12% de seu peso corporal.

A partir dessas informações, é correto afirmar que a investigação complementar inicial, considerando a etiologia mais provável desse quadro, deve incluir
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O quadro combina disfagia progressiva, regurgitação ou vômitos de alimento não digerido, perda ponderal e exposição epidemiológica em homem vindo da zona rural da Bahia, região historicamente endêmica para doença de Chagas. Na forma digestiva crônica, a destruição do plexo mioentérico pelo Trypanosoma cruzi provoca aperistalse e falha de relaxamento do esfíncter esofagiano inferior, produzindo megaesôfago e síndrome semelhante à acalasia.

O ponto que discrimina a investigação pedida é a palavra etiologia. Endoscopia digestiva alta, esofagograma contrastado e manometria definem repercussão anatômica, excluem obstrução mecânica e caracterizam a dismotilidade, mas não demonstram que ela seja chagásica. Na fase crônica, o PCDT da Doença de Chagas do Ministério da Saúde, de 2018, e o II Consenso Brasileiro em Doença de Chagas, de 2015, fundamentam a confirmação por sorologia com dois testes de princípios diferentes quando o primeiro resultado não é suficiente para estabelecer o diagnóstico.

A perda de 12% do peso e a piora recente também obrigam a excluir câncer de esôfago ou pseudoacalasia, especialmente aos 65 anos. Isso não elimina a necessidade de sorologia, porque a questão pergunta qual exame deve integrar a investigação inicial considerando a causa mais provável.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A radiografia de tórax pode mostrar nível hidroaéreo, mediastino alargado ou ausência da bolha gástrica em megaesôfago avançado, mas tem baixa sensibilidade e não confirma infecção crônica pelo T. cruzi.

B) Incorreta. CA 19-9 é marcador associado principalmente a neoplasias pancreatobiliares e não é exame de rastreamento, confirmação etiológica ou acompanhamento do megaesôfago chagásico.

C) Incorreta. A ressonância do tórax não é exame inicial para disfagia esofágica nem método etiológico para doença de Chagas. A anatomia costuma ser estudada por endoscopia e esofagograma, com manometria quando necessário.

D) Correta (gabarito). A sorologia investiga diretamente a etiologia chagásica sugerida pela epidemiologia e pelo padrão de dismotilidade esofágica. Um resultado reagente deve ser interpretado conforme o algoritmo sorológico da fase crônica.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: exames de imagem mostram o megaesôfago, mas a sorologia demonstra a etiologia chagásica.

  • Disfagia para sólidos e líquidos desde o início, regurgitação tardia e alimento retido apontam para distúrbio motor; disfagia inicialmente só para sólidos sugere obstrução mecânica.

  • Idade avançada, emagrecimento importante e piora rápida exigem endoscopia para afastar neoplasia, mesmo quando a epidemiologia favorece Chagas.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Acalásia e distúrbios motores do esôfago” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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