Uma mulher de 50 anos, residente na região Sul, e procedente de estado da região amazônica há cerca de 30 dias, comparece à unidade básica de saúde (UBS) com quadro de febre alta, calafrios e dor de cabeça há 1 mês. Relata que, incialmente, atribuiu os episódios diários de febre e calafrios a adaptação mudança brusca de temperatura. Passados 15 dias, a febre passou a ocorrer a cada 48 horas, ter início súbito e ser seguida de muito calor e sudorese abundante, ela atribuiu esse sintoma à menopausa. Percebeu aumento do volume abdominal e relatou episódios de náuseas e de vômitos que não a impediram de ingerir líquidos, porém, recentemente, a levaram a procurar a UBS. Nega sangramentos, dispneia, alterações neurológicas ou outros sintomas. Ao exame físico, observa-se paciente em regular estado geral, mucosas descoradas; temperatura de 40,2 °C; abdome doloroso difusamente; fígado palpável, a 2 cm do rebordo costal direito; e baço palpável, a 3 cm do rebordo costal esquerdo. Restante do exame físico normal e sinais vitais sem alterações.
A pegadinha é atribuir os calafrios à mudança de clima. Febre paroxística em viajante da Amazônia é malária até prova em contrário.
Gota espessa detecta; esfregaço delgado ajuda a identificar espécie e quantificar parasitemia.
Não espere a periodicidade clássica para investigar, porque o ciclo pode ser irregular no início.
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Contexto
Viagem recente à Amazônia, febre paroxística com calafrios, fase de calor e sudorese, periodicidade aproximada de 48 horas, palidez e hepatoesplenomegalia formam um quadro clássico de malária. A periodicidade terçã pode ocorrer em infecção por Plasmodium vivax ou Plasmodium falciparum, embora os ciclos nem sempre sejam regulares no início.
O Guia de Tratamento da Malária no Brasil de 2026 mantém a confirmação parasitológica como prioridade. A gota espessa tem alta sensibilidade para detectar parasitas; o esfregaço delgado ajuda a definir espécie e parasitemia. Testes rápidos são alternativa quando a microscopia não está disponível. O tratamento deve começar rapidamente e depende da espécie, gravidade, gestação e local provável de infecção, acompanhado de hidratação, antitérmico e avaliação de sinais de malária grave.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Malária é a hipótese que integra procedência, padrão febril, anemia e esplenomegalia; hematoscopia confirma e orienta o antimalárico adequado.
B) Incorreta. Chikungunya costuma provocar poliartralgia intensa e incapacitante, sem o ciclo típico de calafrio, calor e sudorese nem esplenomegalia como achado central.
C) Incorreta. Febre amarela tem curso agudo, podendo causar icterícia, insuficiência hepática, sangramento e choque. Febre periódica por um mês não é a apresentação habitual, e vitamina A não é tratamento específico.
D) Incorreta. Doença de Chagas aguda pode causar febre prolongada e hepatoesplenomegalia, mas o padrão paroxístico após permanência em área malárica favorece fortemente malária.