Um paciente com 63 anos, trabalhador rural, tabagista há 43 anos-maço, apresenta lesão peniana há 3 meses. Refere presença crônica de secreção esbranquiçada no sulco balanoprepucial, e ter notado, há 3 meses, aparecimento de "ferida" que não cicatrizou, apesar do uso de pomada de neomicina. Ao exame físico, verificam-se: secreção esbranquiçada de odor fétido no sulco balanoprepucial, em pequena quantidade; lesão ulcerada de 0,8 cm de diâmetro, na glande, de bordos regulares e levemente elevados com fundo esbranquiçado.
Ferida peniana que não cicatriza deve ser biopsiada.
Antibiótico ou higiene não podem substituir histologia em lesão suspeita.
Tabagismo, fimose, HPV e inflamação crônica aumentam o risco de carcinoma peniano.
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Contexto
Úlcera na glande persistente por 3 meses, sem cicatrização com tratamento tópico, em homem idoso e tabagista, deve ser considerada carcinoma espinocelular de pênis até prova em contrário. Secreção fétida e esmegma sugerem inflamação crônica e higiene local inadequada, fatores frequentemente associados, embora não sejam suficientes para explicar uma úlcera persistente.
O diagnóstico exige confirmação histológica antes de tratamento definitivo. A biópsia deve incluir área representativa da borda e profundidade suficiente para avaliar invasão. Em lesões pequenas e superficiais, uma biópsia excisional pode ser escolhida por equipe especializada; em lesões infiltrativas, extensas ou quando a excisão inicial comprometeria o planejamento, utiliza-se biópsia incisional.
Após confirmação, a extensão local, o grau histológico e os linfonodos inguinais orientam cirurgia preservadora, glansectomia, penectomia parcial ou outras modalidades. Antibiótico ou higiene podem tratar balanopostite coexistente, mas nunca devem atrasar a histologia de uma ferida peniana crônica.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A biópsia incisional confirma malignidade e profundidade de invasão antes do planejamento terapêutico. O ponto decisivo é obter tecido, não continuar tratamento empírico.
B) Incorreta. Ciprofloxacino não trata carcinoma e o esquema curto não corresponde ao tratamento de uma infecção específica que explique a úlcera crônica.
C) Incorreta. Higiene e banhos locais podem melhorar balanopostite, mas não esclarecem uma lesão ulcerada que persiste por meses.
D) Incorreta. Penicilina benzatina trata sífilis. O cancro duro costuma ser indolor, limpo e acompanhado de adenopatia típica, mas uma úlcera persistente em idoso com fatores de risco exige biópsia mesmo quando infecção sexualmente transmissível entra no diferencial.