Uma gestante com 27 anos, G2PC1A0, com idade gestacional de 12 semanas, vai à consulta de pré-natal na unidade básica de saúde para mostrar os resultados dos exames de 1o trimestre, os quais podem ser vistos a seguir: Anti-HIV: não reagente; HBsAg: não reagente; anti-HCV: não reagente; teste treponêmico para sífilis: reagente com VDRL 1/32; toxoplasmose: IgG positivo e IgM negativo; glicemia de jejum: 76 mg/dL; tipagem sanguínea: A-; Hb = 10,5 mg/dL; Urocultura negativa. A paciente relatou para o médico que ainda não havia realizado a ultrassonografia de primeiro trimestre e que não possui sorologias prévias. Seu exame físico apresentou-se sem alterações.
Sífilis gestacional sem duração conhecida recebe três doses semanais e VDRL mensal.
IgG positiva e IgM negativa para toxoplasmose significa infecção antiga.
Atualização necessária ao gabarito: Rh negativo não sensibilizada recebe anti-D em torno de 28 semanas e após parto de recém-nascido Rh positivo.
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Contexto
Teste treponêmico reagente e VDRL 1/32 em gestante sem sorologia anterior ou informação sobre duração devem ser tratados como sífilis latente tardia ou de duração ignorada. O esquema é benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI intramuscular uma vez por semana por três semanas, totalizando 7,2 milhões UI. Na gestação, os títulos não treponêmicos devem ser acompanhados mensalmente.
Hemoglobina de 10,5 g/dL no primeiro trimestre define anemia. O tratamento utiliza ferro elementar em dose terapêutica, frequentemente entre 120 e 240 mg por dia conforme protocolo e formulação, com reavaliação do hemograma. Quatro comprimidos podem corresponder à faixa terapêutica se cada unidade contiver cerca de 40 mg de ferro elementar.
Toxoplasmose IgG positiva e IgM negativa indica infecção antiga e não requer teste de avidez. A gestante A Rh negativo precisa de Coombs indireto. Se não sensibilizada, a prática atual inclui imunoglobulina anti-D por volta de 28 semanas e novamente até 72 horas após o parto se o recém-nascido for Rh positivo, além de outras situações de hemorragia fetomaterna.
O gabarito A deve ser mantido porque é a única alternativa com tratamento correto da sífilis, monitorização mensal e ferro terapêutico. Há, porém, divergência importante: a alternativa omite a profilaxia anti-D antenatal de 28 semanas e propõe Coombs mensal, enquanto protocolos atuais costumam repetir a triagem em momento definido, especialmente antes da profilaxia.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Acerta as três doses semanais de penicilina, VDRL mensal e tratamento da anemia. Deve ser complementada com anti-D antenatal em torno de 28 semanas se o Coombs permanecer negativo.
B) Incorreta. Dose única de penicilina é insuficiente para duração ignorada, o VDRL na gestação deve ser mensal e anti-D pós-parto é indicada quando o recém-nascido é Rh positivo, não negativo.
C) Incorreta. O VDRL trimestral é insuficiente, ferro profilático não trata anemia e avidez é desnecessária com IgM negativa. A profilaxia anti-D de 28 semanas está correta apenas se a paciente não estiver sensibilizada.
D) Incorreta. Duas doses não completam tratamento de sífilis tardia, o ferro não deve ser adiado e anti-D não beneficia gestante já aloimunizada com Coombs positivo.