Uma secundigesta com parto vaginal anterior e sem comorbidades chega à maternidade em trabalho de parto. Dez minutos após a meia-noite, avaliado o processo de trabalho de parto, constata-se evolução normal. Realizado exame físico na paciente, verifica-se uma apresentação em plano positivo (+2), colo 100% esvaecido, com 8 centímetros de dilatação, bolsa rota. À ausculta de batimentos cardíacos fetais, o médico assistente nota uma queda nos batimentos e, por isso, opta por realizar uma cardiotocografia, cujo resultado é mostrado a seguir:

Precoce é espelho da contração e significa compressão da cabeça.
Tardia desloca-se para a direita e sugere insuficiência uteroplacentária.
Variabilidade moderada é o achado mais tranquilizador do traçado.
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Contexto
O traçado mostra frequência cardíaca fetal basal em torno de 125 a 135 bpm, dentro da faixa normal de 110 a 160 bpm, e variabilidade moderada, com oscilação aproximada de 6 a 25 bpm. As desacelerações são graduais, simétricas e acompanham as contrações, com início e recuperação próximos ao início e ao fim da atividade uterina.
Esse padrão corresponde a desacelerações precoces, causadas por compressão da cabeça fetal durante a descida no canal de parto. O nadir ocorre aproximadamente junto ao pico da contração, formando imagem em espelho. Com variabilidade moderada e sem desacelerações tardias ou variáveis recorrentes, o traçado é tranquilizador.
A Diretriz ACOG de 2025 mantém a variabilidade moderada como sinal de integridade neurológica e ausência de acidemia naquele momento. Desacelerações precoces isoladas não exigem oxigênio, hidratação venosa ou interrupção do parto. Mantém-se vigilância e assistência habitual.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A linha de base normal é definida entre 110 e 160 bpm, e a variabilidade não está aumentada. Desacelerações precoces não indicam reanimação intrauterina.
B) Incorreta. Desaceleração tardia começa após o início da contração, apresenta nadir depois do pico e recuperação após seu término. O traçado acompanha a contração em espelho.
C) Correta (gabarito). Linha de base normal, variabilidade moderada e desacelerações precoces indicam compressão cefálica fisiológica e permitem prosseguir o acompanhamento do parto.
D) Incorreta. Desacelerações variáveis têm queda abrupta e morfologia variável, relacionada à compressão do cordão. Além disso, oxigênio não é medida rotineira em gestante normoxêmica.