Pancreatite

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 77
INEP · 2024

Um paciente com 57 anos, queixa-se, em consulta, de dor abdominal difusa intermitente, há 3 meses, que piora com ingestão de alimentos, associada a emagrecimento de 9 quilogramas nesse período, além de diarreia com gotículas de gordura nas fezes. É tabagista e etilista há 30 anos. Ao exame físico, apresenta dor abdominal difusa que piora à palpação profunda em região mesogástrica, sem outras particularidades:

Figura da questão 77 da INEP 2024
Figura da questão

Com base no quadro acima, quais são, respectivamente, o diagnóstico e a conduta para o paciente?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Dor epigástrica ou mesogástrica crônica, pior após alimentação, perda ponderal e esteatorreia em tabagista e etilista de longa data indicam pancreatite crônica com insuficiência pancreática exócrina. Álcool e tabaco atuam de forma sinérgica na inflamação, fibrose, calcificação e destruição progressiva do parênquima pancreático.

Os exames da imagem mostram amilase e lipase apenas discretamente elevadas, achado compatível com doença crônica, pois uma glândula fibrosada pode não liberar enzimas em grande quantidade. O critério de enzimas acima de três vezes o limite pertence à pancreatite aguda. Glicemia de jejum de 155 mg/dL sugere diabetes pancreatogênico e precisa ser confirmada e tratada.

O manejo inclui abstinência completa de álcool e tabaco, analgesia escalonada, refeições menores com aporte calórico e proteico adequado e reposição de enzimas pancreáticas nas refeições para tratar esteatorreia e perda de peso. Deve-se avaliar vitaminas lipossolúveis, osteopenia e diabetes. Restrição intensa de gordura não é recomendada quando enzimas adequadas permitem absorção.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Pancreatite aguda apresenta dor súbita e enzimas geralmente acima de três vezes o limite, não esteatorreia e emagrecimento por três meses.

B) Correta (gabarito). O diagnóstico é pancreatite crônica, e analgesia e orientação dietética fazem parte do tratamento. A conduta atual deve ser completada com enzimas pancreáticas, cessação de álcool e tabaco e avaliação do diabetes.

C) Incorreta. Hepatite alcoólica costuma causar icterícia, febre, hepatomegalia e relação AST maior que ALT, sem explicar esteatorreia pancreática.

D) Incorreta. Cirrose pode causar perda de peso, mas não produz tipicamente dor pós-prandial e gotículas de gordura por insuficiência exócrina. Biópsia hepática não é o primeiro passo.

Bizu MedBoard
  • Na pancreatite crônica, amilase e lipase podem estar normais ou pouco elevadas.

  • Esteatorreia indica insuficiência exócrina e pede enzimas com as refeições.

  • Tabaco acelera a pancreatite e precisa ser interrompido junto com o álcool.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Pancreatite” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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