Uma mulher com 21 anos apresenta história de cefaleia hemicraniana, pulsátil, precedida por escotomas visuais, de duração de 6 a 10 horas, com fono e fotofobia, com pelo menos um episódio ao mês nos últimos 10 anos. Relata que a privação de sono desencadeia o quadro e que obtém melhora parcial da cefaleia após ingerir analgésico comum. Nega febre ou alteração das características de cefaleia recentemente. Nega outros sintomas associados. Ao exame físico, apresenta bom estado geral, fácies de dor, está hidratada, corada, com frequência cardíaca de 90 bpm e pressão arterial de 130 x 80 mmHg. Não apresenta alterações no aparelho cardiovascular nem no respiratório. O exame neurológico da paciente encontra-se normal.
Aura visual reversível mais dor pulsátil unilateral com foto e fonofobia define migrânea com aura.
Triptano é abortivo da fase dolorosa e não deve ser usado em doença vascular isquêmica.
Uso em 10 ou mais dias por mês aumenta risco de cefaleia por excesso de triptano.
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Contexto
Cefaleia unilateral pulsátil, com duração de 6 a 10 horas, fotofobia, fonofobia, piora por privação de sono e sintomas visuais precedendo a dor caracteriza migrânea com aura. A aura visual típica é reversível, desenvolve-se gradualmente e costuma durar de 5 a 60 minutos, refletindo depressão alastrante cortical.
Na crise, analgésico comum ou anti-inflamatório pode ser usado precocemente. Quando a resposta é insuficiente, triptano é tratamento específico, desde que não haja doença vascular isquêmica, hipertensão não controlada ou outra contraindicação. Ele deve ser tomado quando a cefaleia começa, e não necessariamente durante a aura isolada.
Com apenas um episódio mensal e exame neurológico normal, profilaxia diária não é automaticamente necessária. Devem ser orientados regularidade do sono, identificação de gatilhos e limite de uso de triptanos a menos de 10 dias por mês para evitar cefaleia por uso excessivo de medicação. Aura nova, déficit persistente ou mudança do padrão exigiriam investigação.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). O fenótipo é de migrânea com aura, e triptano é apropriado como abortivo quando analgésico simples oferece alívio incompleto.
B) Incorreta. Cefaleia tensional costuma ser bilateral, em pressão ou aperto, leve a moderada e sem aura visual. Relaxante muscular não é tratamento rotineiro baseado em evidências.
C) Incorreta. Cefaleia em salvas causa dor orbitária muito intensa, de 15 a 180 minutos, acompanhada de lacrimejamento, congestão nasal, ptose ou inquietação ipsilateral.
D) Incorreta. História estável há dez anos e exame neurológico normal não sugerem malformação vascular. Encaminhamento e imagem seriam indicados diante de sinais de alarme ou aura atípica.