Vigilância epidemiológica

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 20
INEP · 2024

Uma menina de 6 anos viajou de férias com a família para a República Dominicana, onde permaneceu por 10 dias. Na véspera do retorno ao Brasil, a paciente apresentou febre baixa, evoluindo, em 24 horas, para um quadro com diarreia súbita, líquida e abundante. Ao desembarcarem no aeroporto, ela foi prontamente atendida pela equipe da ANVISA, que a encaminhou ao hospital para avaliação, devido à suspeita de cólera. Tendo em vista a exuberância dos sintomas e o grau de desidratação, ao chegar ao hospital, a paciente é internada imediatamente. No hospital, são coletadas amostras de fezes, com resultado positivo para Vibrio cholerae. Durante a internação hospitalar, a paciente recebe, além de reidratação endovenosa e de sulfato de zinco, antibioticoterapia com doxiciclina (3 mg/kg em dose única).

Nessa circunstância, as medidas de prevenção e de controle pertinentes ao quadro apresentado por essa paciente incluem
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Cólera é infecção aguda por Vibrio cholerae transmitida por via fecal-oral, capaz de produzir diarreia aquosa profusa, desidratação rápida, hipovolemia e morte em poucas horas. Reidratação imediata é a intervenção que mais reduz mortalidade; antibiótico é adjuvante nos casos graves e diminui duração e volume da diarreia.

A lista nacional de notificação compulsória vigente em 2026 mantém a cólera como agravo de notificação imediata, em até 24 horas, para as esferas municipal, estadual e federal. A comunicação deve ocorrer diante da suspeita, sem esperar confirmação laboratorial, para permitir investigação da fonte, busca ativa e controle de água e alimentos.

A transmissão não é respiratória, portanto não há precaução por gotículas. Utilizam-se precauções padrão e cuidado de contato para pacientes com diarreia incontida ou uso de fraldas, além de higiene rigorosa das mãos, água segura e saneamento. Quimioprofilaxia e testagem sistemática de contatos assintomáticos não são recomendadas, e vacinação oral não funciona como profilaxia imediata individual após contato.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Gotículas não participam da transmissão. O foco é precaução entérica, higiene e manejo seguro de fezes.

B) Correta (gabarito). O caso deve ser notificado imediatamente à vigilância municipal, que desencadeia investigação e compartilha a informação com as demais esferas.

C) Incorreta. Contatos assintomáticos não recebem testagem e antibiótico de rotina, estratégia que favorece resistência e não controla a fonte ambiental.

D) Incorreta. Vacina oral pode ser usada em estratégias populacionais de prevenção e resposta a surtos, mas não é medida pós-exposição imediata para todos os contatos.

Bizu MedBoard
  • Cólera suspeita já é notificação imediata; não espere a cultura.

  • A prioridade é água, sais e vigilância da fonte comum.

  • Sem gotículas e sem antibiótico preventivo para contatos assintomáticos.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Vigilância epidemiológica” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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